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Vidreiro da Owens morre após vazamento em forno que operava acima da capacidade

Antônio Carlos Tola Júnior, de 43 anos, teve 70% do corpo queimado e não sobreviveu; outros quatro trabalhadores da Owens Illinois (Cisper) ficaram feridos

Publicado: 30 Novembro, 2021 - 12h25 | Última modificação: 30 Novembro, 2021 - 15h33

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

Reprodução/Google Imagens
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Fachada da empresa Owens Illinois na zona leste

O vidreiro Antônio Carlos Tola Júnior, de 43 anos, que trabalhava na unidade da Owens Illinois (Cisper), na zona leste da capital paulista, não resistiu aos ferimentos causados pelo vazamento de um forno de refratário e morreu na última sexta-feira (26). O acidente deixou outros quatro trabalhadores em estado grave.

De acordo com o Sindicato dos Vidreiros de São Paulo, o forno, utilizado para aquecer o vidro em uma das etapas de produção, operava acima da capacidade de extração diária recomendada, que era de 280 toneladas por dia. No momento do acidente, o forno, que chega a uma temperada de até 1.500 °C, processava cerca de 340 toneladas.

Coordenador dos fornos da empresa, Antônio Carlos fazia a manutenção de um dos equipamentos no dia 10 de novembro, quando uma das paredes do refratário rachou, causando o vazamento de vidros superaquecidos e atingindo os trabalhadores que estavam próximos. Antônio Carlos teve 70% de seu corpo queimado e não resistiu. Outros quatro trabalhadores ficaram feridos com o acidente, mas estão fora do risco de morte.

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Ainda segunda o Sindicato, não é a primeira vez que vazamentos do tipo ocorrem. O forno já estava sendo utilizada há nove anos e, desde o ano passado, apresentava problemas.

“Desde 2020 a empresa só fazia as corretivas no forno sem se preocupar com o risco eminente. Era um forno que apresentava problemas estruturais, mas a ganância em produzir não fez a empresa ver o grave acidente que estava por vim”, afirma o diretor de base do Sindicato, Josemar Souto, o Carioca.

“Por estar acima da capacidade, o equipamento se desgasta rapidamente e exige mais reparos. A parede do refratário onde a manutenção foi feita pode ter ficado muito fina e se abriu. Então estamos falando da morte de um companheiro que era evitável, pois a empresa omitia informações de segurança”, protesta Souto, que também é funcionário da Owens, uma das maiores fabricantes de embalagens de vidros do mundo.

Após o acidente, o Sindicato solicitou a interdição do equipamento junto ao Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), órgão vinculado ao governo municipal, para que se faço a investigação do caso. 

Denúncia

O Sindicato também está mobilizando trabalhadores para um protesto que irá ocorrer na quarta-feira, 1º de dezembro, em frente à fábrica, durante a troca dos três turnos de trabalhadores (saiba mais abaixo).

A entidade também pretende levar o caso para conhecimento de outras organizações mundo afora, por meio da campanha #VidasOperariasImportam, cobrando rígida apuração sobre os fatos e o posicionamento da matriz da indústria de vidros, nos Estados Unidos. A CNQ-CUT (Confederação Nacional do Ramos Químico) e a IndustriALL Global Union, federação internacional de trabalhadores nas indústrias, acompanham o caso.

Protesto

Quarta-feira, 1º de dezembro
Às 4h30, 12h30 e 20h30
Em frente à Owens Illinois (Cisper) na Av. Olavo Egídio de Souza Aranha, 2270, no Parque Cisper, zona leste de São Paulo