• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
  • Rádio Brasil Atual
MENU

“Vamos parar dia 24 contra descaso de Doria, que não cumpre palavra”, alerta Índio

Trabalhadores estão há dois anos sem reajuste salarial. Categoria também luta contra a privatização da estatal paulista que avança nos bastidores

Publicado: 06 Agosto, 2021 - 10h43 | Última modificação: 06 Agosto, 2021 - 10h48

Escrito por: Viviane Barbosa - CNTTL

Foto: Dino Santos
notice
Ao microfone o presidente do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil, Valmir de Lemos Índio

Os ferroviários da CPTM  (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) anunciam paralisação no dia 24 de agosto nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade que operam na cidade de São Paulo. 

O movimento é organizado pelo Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil, que é filiado à FITF-CUT (Federação Interestadual dos Trabalhadores Ferroviários) e à CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística).

Segundo o Sindicato, essa decisão foi aprovada após o secretário de transportes de Dória (PSDB), Alexandre Baldy,  descumprir sua promessa de que não recorreria da decisão judicial sobre o reajuste salarial das campanhas salariais da categoria de 2020 e 2021. 

O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) havia determinado o reajuste salarial de 3,72% em 2020 e 2021 e de 3,06% em 2022 para os 2.600 ferroviários, mas o governo estadual recorreu na Justiça para não pagar os aumentos.

A Ministra-Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, acatou ação do governo Dória e suspendeu o reajuste dos ferroviários, que estão sem receber nada desde 2019.

“Para nós isso é mau-caratismo. O governo estadual assumiu que não iria recorrer da decisão judicial, mas voltou atrás. O que está por trás dessa falta de compromisso com os trabalhadores é a intenção do governo Dória em privatizar a CPTM”, explica o presidente do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil, Valmir de Lemos, mais conhecido como Índio, que é diretor da CNTTL.

Segundo o dirigente, a privatização da estatal paulista avança nos bastidores e o Grupo CCR, antiga Companhia de Concessões Rodoviárias, é a empresa cotada para assumir as linhas 11, 12 e 13.

Resistência

Índio, que é carioca e mora no Rio, estará em São Paulo no dia 23 para organização da paralisação e reforça que os ferroviários precisam estar mobilizados. 

“É importante termos resistência para lutarmos pelo reajuste salarial, que é importante para as famílias dos trabalhadores, mas também contra a privatização da CPTM, que sabemos se acontecer os ferroviários perderão seus postos de trabalho e a população pagará mais caro pelo transporte”, alerta.

Caso o governo estadual não cumpra o pagamento dos reajustes, os ferroviários permanecerão em greve por tempo indeterminado a partir do dia 24.  “Não acreditamos mais na palavra desse governo, agora tem que ser no papel”, ressalta Índio.

Transporte caro e desemprego

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) são as estatais públicas que estão na mira dos governos Bolsonaro, Doria (SP) e de outros governos estaduais, que querem privatizá-las, ou seja, vendê-las para a iniciativa privada.

Jerônimo Miranda Neto, presidente da FITF-CUT, disse que o impacto das privatizações será terrível para quem trabalha no setor e para os usuários. “Cerca de 80% desses trabalhadores e trabalhadoras perderão seus empregos. Os passageiros sofrerão com a queda na qualidade dos serviços e com o aumento nos preços das tarifas”, explica.

O sindicalista conta que é importante a unidade da categoria metroferroviária para barrar essa política de privatizações que, se for implementada será prejudicial para todos os brasileiros.  “É importante manter a gestão dessas empresas públicas na mão do Governo e buscar melhores condições para que sejam administradas e que prestem bons serviços aos usuários”, frisa.

Índio citou como exemplo de prejuízo a privatização no sistema de trens metropolitanos do Rio de Janeiro, que aconteceu em 1998. “Após 21 anos da privatização, os trens da SuperVia têm muitos problemas. O número de usuários caiu de 1 milhão para 500 mil e o preço da tarifa subiu”, relembra o dirigente.

Texto publicado no site da CNTTL