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Um ano da tragédia no Litoral Norte: movimentos reivindicam políticas estruturadas

Ato realizado em 19/02, na Praça da Sé, contou com a participação de movimentos populares e sindicais para pressionar ações de reparo à população atingida

Publicado: 19 Fevereiro, 2024 - 14h43 | Última modificação: 19 Fevereiro, 2024 - 15h59

Escrito por: Laiza Lopes - CUT São Paulo

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Nesta segunda-feira (19), a CUT São Paulo se uniu ao MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), a CMP (Central de Movimentos Populares SP), entre outros movimentos, na Praça da Sé, para apoiar o ato de um ano da tragédia no Litoral Norte de São Paulo. Em fevereiro de 2023, 65 pessoas foram vítimas de deslizamentos após chuvas intensas em São Sebastião.

Após um ano do ocorrido, movimentos lutam por políticas estruturadas para evitar novas tragédias, além de apoio aos atingidos - cerca de mil pessoas ficaram desabrigadas. Entre as reivindicações estão: moradia digna e segura, reparação e indenização integral, política de proteção e segurança às populações atingidas, ações de segurança alimentar e assistência social. 

Além disso, há uma crítica ao governo estadual pela falta de consulta à população afetada para a elaboração das decisões. 

“O governo estadual precisa abrir um diálogo com as famílias e fazer a reparação necessária, além de desenvolver políticas públicas com moradias populares e dignas”, analisa Luana Bife, diretora executiva da CUT São Paulo que esteve presente na ação.

Liciane Andrioli, que faz parte da coordenação do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), denuncia a situação enfrentada por cerca de 58 famílias que se encontram na Vila de Passagem, na Topolândia, moradia provisória construída em maio de 2023. 

“As pessoas estão em um local de 18 m² sem ventilação, sem saneamento básico adequado, sem assistência psicológica e alimentar. Faz um ano que estão vivendo de forma decadente”, afirma Liciane.

Com seis meses de atraso, 186 apartamentos da CDHU foram entregues no bairro de Maresias para os atingidos que estavam em Bertioga. Já os outros 518 apartamentos foram entregues na Baleia Verde, na costa sul de São Sebastião, nesta segunda-feira (19). 

Morador da Estrada Beira Rio, em Boiçucanga, Laércio Honorato perdeu a casa e amigos vizinhos. Ele não recebeu nenhuma indenização e aponta que os prédios construídos na Baleia Verde “são uma tragédia anunciada”. “É uma área de alto risco, de mangue. Por que não construíram em uma área seca e segura?”, relata Laércio. 

Os movimentos desenvolveram uma nota com um panorama da situação e as reivindicações necessárias para evitar novos desastres. É possível ler o documento aqui.