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Trabalhadores saem às ruas em defesa do patrimônio público

Em paralelo, americana Boeing propôs a compra de 80% da brasileira Embraer

Publicado: 05 Julho, 2018 - 18h26

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

Secom-CUT-SP
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No Dia Nacional de Luta em Defesa das Empresas Públicas, trabalhadores do serviço público e privado participaram de um ato, nesta quinta-feira (5), no centro de São Paulo, para alertar a população sobre os desmontes do patrimônio nacional.

Presidente da CUT-SP, Douglas Izzo Presidente da CUT-SP, Douglas Izzo A atividade, organizada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (SPBancários), contou com a presença de outras categorias, que denunciaram as tentativas de entrega das empresas públicas à iniciativa privada, mesmo contra a vontade dos brasileiros e, muitas vezes, com valores abaixo do mercado.

O ato foi iniciado em frente a Caixa Econômica na Praça da Sé, passando pelo Banco do Brasil e pela Bolsa de Valores de São Paulo, na rua XV de Novembro. Em paralelo à ação, também nesta quinta, a empresa norte-americana enviou proposta de compra de 80% da Embraer, negócio que ainda precisa de aprovação do governo federal.

Presidente da CUT-SP, Douglas Izzo disse que o governo Temer tem uma dívida com quem apoiou o golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, em 2016. “Esse governo está em dívidas com os que financiaram o golpe e agora está tentando liquidá-las com a entrega das empresas públicas aos empresários, uma forma para que eles possam ter mais lucros”.

Desde que assumiu por meio de um golpe, o presidente ilegítimo Michel Temer (MDB) tem promovido uma liquidação das empresas públicas, num pacote que inclui, entre outros, o setor financeiro, petroleiro, telecomunicações e elétrico. A ação está alinhada com os interesses dos grandes empresários brasileiros e estrangeiros, que correm contra o tempo para garantir a compra das estatais antes do fim do mandato de Temer.

Caso as empresas públicas sejam privatizadas, os principais programas sociais conquistados pelos brasileiros podem ser extintos, como o Minha Casa Minha Vida e o FIES, que são financiados pelos bancos públicos. A venda para o capital privado também representa aumento nas tarifas e serviços ineficientes.

Presidenta do SPBancários Ivone SilvaPresidenta do SPBancários Ivone Silva“Quando uma empresa é privada e ela distribui o lucro e dividendos para os sócios ou acionistas, não é cobrado nem um real de imposto de renda. É um fator muito prejudicial à população, já que enquanto empresa pública, os lucros obtidos por bancos, por exemplo, são revertidos em programas sociais”, afirma a presidenta do SPBancários Ivone Silva.

Dionísio Reis, que também é dirigente do sindicato e membro da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, falou sobre a importância dos bancos públicos, que também financiam a agricultura familiar e a seguridade social. “Ontem (quarta) estava previsto um leilão da Lotex, que é a parte mais rentável da loteria, que destina muito desses recursos para a saúde, educação, cultura e esporte. Então é preciso que assim permaneça. Por isso defendemos uma Caixa 100% pública”.

Já em relação à Petrobrás, desde que Temer adotou a política de paridade internacional dos preços de derivados de petróleo, a população convive com constantes aumentos na gasolina e no gás de cozinha, o que causou a maior paralisação de caminhoneiros da história nacional, gerando desabastecimento em diversos serviços.

Felipe Grubba, dirigente do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São PauloFelipe Grubba, dirigente do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São PauloSegundo Felipe Grubba, dirigente do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo, os brasileiros assistem ao maior ataque aos direitos e ao patrimônio com a conveniência de vários órgãos institucionais.  “Um dos primeiros projetos aprovados pelo governo golpista foi o fim da obrigatoriedade de exploração do pré-sal pela Petrobrás, impactando nos investimentos da saúde e educação. Um absurdo sem tamanho. Acredito que nenhum país soberano no mundo faria isso, mas os entreguistas não têm vergonha e fizeram, pois, como mesmo disseram, foi com o Supremo, com tudo”, em referência a uma famosa frase de Romero Jucá (MDB-RR) que, em 2016, falou que era preciso tirar o governo de Dilma para “estancar a sangria”.

São Paulo

No estado de São Paulo, as gestões do PSDB, tanto no governo quanto nas prefeituras, também realizam ações que visam a entrega do patrimônio público. Com Geraldo Alckmin, a Sabesp abriu seu capital e passou a ser negociada na Bolsa de Valores de São Paulo e de Nova Iorque, tendo os acionados a busca pelo lucro. Alckmin também privatizou linhas do Metrô e ameaça a concessão das demais.

Já com João Doria, na prefeitura da capital paulista, foi encaminhado à Câmara um Projeto de Lei (367/17) que permite a privatização de cemitérios, parques, praças, bibliotecas, mercados municipais, o sistema do Bilhete Único, terminais de ônibus etc. Apesar de aprovado, a atual gestão municipal não detalhou o formato de venda desses serviços. Ambos os tucanos abandonaram seus cargos para disputar as eleições deste ano.

Confira a transmissão completa:

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