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Trabalhadores na Volks enfrentam crise por falta de peças e componentes

Redução de jornada e de salários irão ocorrer no retorno das férias coletivas de 27 de junho a 7 de julho

Publicado: 23 Junho, 2022 - 16h11 | Última modificação: 24 Junho, 2022 - 15h13

Escrito por: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Adonis Guerra/SMABC
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Em assembleias internas realizadas na quarta-feira, 22, a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC comunicou aos trabalhadores na Volks, em São Bernardo, sobre o programa de redução de jornadas e salários que será adotado na montadora a partir do mês de julho, devido à falta de componentes eletrônicos e peças. O percentual de redução será de 24% na jornada e 12% nos salários. 

A medida está assegurada pelo acordo negociado entre Sindicato e montadora, aditado em 2020 e vigente até 2025, e será aplicada já no retorno das férias coletivas de 10 dias programas para trabalhadores da produção, de 27 de junho a 7 de julho. 

Segundo o diretor administrativo do Sindicato, Wellington Messias Damasceno, a montadora pretendia suspender um turno de produção como alternativa para a falta de fornecimento. “Negociamos a redução de jornada justamente pelo impacto que a decisão teria. Não só para os trabalhadores na Volks, mas para toda a cadeia de produção, principalmente para os trabalhadores terceiros”. 

“Buscamos a alternativa garantida no acordo e que não impactasse em toda a cadeia produtiva. É a melhor ferramenta que temos para o momento, que será avaliada mês a mês e pode sofrer alterações até a normalização da situação”, prosseguiu. 

O sindicalista destacou ainda que a representação dos trabalhadores na Volks vem cobrando da empresa a previsão da normalização do fornecimento de semicondutores e autopeças na fábrica. “O mundo vive hoje o problema de falta de peças. Não só semicondutores. Há uma série de produtos que estão faltando no mundo todo.” 

Damasceno também lembrou que o acordo em vigência estabelece as bases das pautas dos trabalhadores como data-base, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), banco de horas, ferramentas de flexibilização para enfrentar crises e melhorias do mercado automobilístico e também garante investimentos na planta.  

“Essa situação tende a ser levada por um bom tempo, mas temos um acordo que estabelece previsibilidade, traz ferramentas de flexibilidade para momentos como este, garante investimentos e a permanência da fábrica em São Bernardo”, afirmou. 

Falta de ação do governo 

O dirigente sindical ressaltou ainda que falta no país uma política industrial que dê condições para o Brasil sair desta crise com geração de emprego e uma indústria forte e que o governo brasileiro precisa ter políticas que olhem para o fomento, desenvolvimento e pesquisa local. 

“Nós não temos uma política industrial que garanta que parte dos produtos que importamos sejam feitos no Brasil. Política industrial não é o que esse governo faz de zerar imposto para a importação para trazer de fora carros elétricos e ônibus que poderiam ser produzidos aqui gerando empregos”, contou 

A Volks conta com cerca de 8,2 mil trabalhadores, sendo 4,5 mil na produção.