Trabalhadores do transporte alternativo protestam em frente à Prefeitura de Itaquá
Grupo reivindica reabertura do diálogo com a administração municipal para avançar no processo de regulamentação do serviço na cidade
Publicado: 24 Agosto, 2023 - 12h34 | Última modificação: 24 Agosto, 2023 - 12h42
Escrito por: Alexandre Trindade
Motoristas e cobradores de vans que atuam no transporte alternativo em Itaquaquecetuba (SP) estão em vigília em frente à Prefeitura da cidade desde a tarde da terça-feira (22). O protesto é contra a criminalização que a categoria vem sofrendo e para cobrar da administração do prefeito delegado Eduardo Boigues (PP) a retomada das negociações para a regulamentação da atividade.
O presidente da CUT São Paulo, professor Douglas Izzo, que é de Itaquá, esteve com os trabalhadores na frente da sede do Executivo municipal.
“Estamos aqui para nos somarmos à luta dos trabalhadores do transporte alternativo que buscam o direito de trabalhar dentro das regras previstas na legislação. A prefeitura precisa atender à categoria e apresentar um cronograma para elaboração do projeto de regularização do serviço, prevendo inclusive audiências públicas, pois temos uma parcela da população que hoje depende desse serviço de transporte", disse Izzo.
Divulgação/CC
De acordo com Jonas Francisco, um dos líderes da categoria, os trabalhadores do transporte alternativo de Itaquá se organizam como cooperativa há cerca de 10 anos e dialogam com o Executivo local desde a primeira gestão do ex-prefeito Mamoru Nakashima (PSDB).
“Em março deste ano tivemos uma reunião com o prefeito (Eduardo Boigues) em que ficou acertado que seríamos chamados para uma nova reunião com a empresa concessionária em que seria discutida a regularização do serviço que fazemos, mas, ao invés dessa reunião, passamos a ser criminalizados já que quando há abordagem da fiscalização não aplicam apenas a multa e fazem a apreensão do veículo, mas também nos levam para a Delegacia de Polícia para a agente assinar um Termo Circunstanciado”, comenta Jonas.
Ele estima que as 25 vans cooperadas, que aponta como alvos das abordagens da fiscalização e da Guarda Civil Municipal (GCM), garantem trabalho para 120 pessoas entre motoristas, cobradores e fiscais que, em média, transportam de 150 a 200 passageiros por dia, em sua maioria trabalhadores e trabalhadores que moram nos bairros mais afastados do centro da cidade e precisam se deslocar para as estações de trem da CPTM de Itaquá ou Engenheiro Manoel Feio.
“A população da cidade cresceu muito e no contrato atual de transporte coletivo está previsto apenas 80 ônibus que não dão conta de atender todos os bairros. Tem lugar que as pessoas precisam caminhar até três quilômetros para chegar ao ponto e ainda aguardam cerca de 20 minutos para chegar o ônibus. Diante dessa situação passamos a chegar mais próximo das casas das pessoas que moram no fundão da cidade e fazer o transporte de quem opta em chegar mais rápido até as estações ou voltar para casa”, explica Jonas.
O líder dos transportadores alternativos de Itaquá afirma que não há previsão para deixarem a frente da Prefeitura. “Não temos previsão de sair daqui (da frente da Prefeitura de Itaquaquecetuba). Somos trabalhadores, estamos trabalhando e não aceitamos ser criminalizados como tem ocorrido. Queremos que o prefeito agora faça uma reunião com toda categoria para tratar da retomada da discussão do processo de regulamentação do nosso serviço”, conclui.