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Trabalhadores da educação organizam carreata contra retomada das aulas presenciais

Ação da Apeoesp ocorrerá em diversas cidades de SP; Organizadores dizem que plano de reabertura das escolas, apresentado pelo governo, não tem base científica e oferece perigo

Publicado: 06 Julho, 2020 - 16h46 | Última modificação: 06 Julho, 2020 - 17h17

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

Wokandapix por Pixabay
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Nesta terça, 7 de julho, professores e professoras da base da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo) realizam o “Dia Estadual de Carreatas, Buzinaços e Faixaços em Defesa da Vida” por todo estado de São Paulo. A ação é uma das respostas da categoria contra a proposta de retomada presencial das aulas, anunciada pelo governo de João Doria (PSDB) no final de junho.

Para a Apeoesp, o plano de reabertura é prematuro, não tem base científica e pode representar um perigo real de aumento dos casos de Covid-19, pois São Paulo é o epicentro da epidemia no Brasil. Até a manhã desta segunda (6), o estado registrava 320.179 mil casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, com 16.078 mortes confirmadas.

“Os números de contaminação e mortes por Covid-19 no estado de São Paulo continuam aumentando. Isso mostra que ainda não estamos prontos para a retomada das atividades, principalmente das aulas nas escolas da rede pública estadual. Nós, da CUT São Paulo, seguimos defendendo o direito à vida e apoiamos todas as manifestações nesse sentido, inclusive essa carreata da Apeoesp para chamar a atenção da sociedade sobre os riscos de planos precipitados do governo estadual de volta às aulas presenciais”, afirma o professor e presidente da CUT-SP, Douglas Izzo.

A data prevista por Doria para a retomada das aulas presenciais no ensino público e privado é 8 de setembro. De acordo com o governador, o retorno só ocorrerá se todas as cidades paulistas completarem 28 dias na fase 3 da pandemia (etapa amarela do plano São Paulo de flexibilização econômica). Em seu anúncio, disse que o retorno seguirá normas de distanciamento social de 1,5 nas salas, rodízio entre turmas, uso obrigatório de máscara por todos esanitização dos ambientes. Também prevê a organização da entrada e saída dos alunos para evitar aglomerações, aferição da temperatura na entrada, intervalos em horários alternados e atividades de educação física preferencialmente ao ar livre.

Por conta da alta concentração de pessoas em salas de aulas, as escolas são espaços de grande contágio no mundo todo. Na Austrália, por exemplo, a retomada das aulas antes do tempo, provocando novo aumento de casos, tem feito as autoridades cogitarem novo fechamento das escolas. Aqui em São Paulo, a falta de estrutura dos equipamentos de ensino é o que preocupa os trabalhadores no setor, de forma a garantir a adoção das medidas anunciadas.

“Como pretende o governo garantir condições para a higiene pessoal de milhões de estudantes, se chega a faltar água em muitas escolas, não há lavatórios suficientes, a maior parte dos banheiros se encontra em péssimo estado, há falta até mesmo de papel higiênico e papel toalha? Haverá garantia de álcool em gel para todos, máscaras de proteção e verificação da temperatura dos estudantes na entrada das escolas todos os dias? Serão aplicados testes em massa em professores, estudantes e funcionários quando desta retomada?”, questiona a deputada estadual e presidenta da Apeoesp, Professora Bebel (PT-SP), que avalia a decretação de uma greve se não houver diálogo do governo com os professores.

A deputada lembra também que grande parte das escolas não possui condições de ventilação necessárias para o momento e que, até que esses problemas sejam solucionados, o governador deveria aguardar antes de anunciar retomada. Segundo Bebel, esse período de quarentena é um bom momento para as questões estruturais serem resolvidas pelo estado.

“Escolas são locais de alto contágio. Foram as primeiras a parar e devem ser as últimas a voltar, no momento em que houver uma drástica redução da pandemia, com garantia de segurança sanitária para estudantes, professores, funcionários e suas famílias. Qualquer precipitação será um atentado contra a vida. A prudência recomenda que pelo menos até dezembro seja mantido o uso das tecnologias de informação e comunicação, porém de acordo com um protocolo que é necessário estabelecer de forma negociada”, finaliza Bebel.

O ato desta terça ocorrerá em diversos horários. Acompanhe pela página da CUT-SP nas redes sociais a repercussão das atividades.