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Tossindo muito, Bolsonaro discursa em ato que pede intervenção militar

Presidente conversou com apoiadores que o esperavam em frente ao QG do exército com faixas pedindo a volta do AI-5

Publicado: 20 Abril, 2020 - 11h36 | Última modificação: 20 Abril, 2020 - 12h05

Escrito por: Redação - Rádio Brasil Atual

Foto: Reprodução/Twitter
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Como já é de praxe, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aproveitou o fim de semana para passear, fazer visitas e participar de atos e aglomerações em Brasília e imediações, contrariando recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto às medidas contra o coronavírus. Na tarde de hoje (19), ele discursou para um grande grupo de apoiadores que se aglomeraram em frente ao Quartel General do Exército. Entre as faixas, havia aquelas com dizeres em apoio à intervenção militar e a um novo AI-5.

 

 

Do alto de uma caminhonete, Bolsonaro fez um discurso sob medida para o gosto de seus apoiadores. Interrompido diversas vezes pela tosse, ele disse:

“Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo brasil. O que tinha de velho ficou para trás. Temos um novo Brasil pela frente. Todos, sem exceção no Brasil, tem de ser patriotas, e acreditar que fazer sua parte para colocar o Brasil em lugar de liderança e destaque. Acabou. Acabou a época patifaria. Agora é o povo no poder”

E os desafiou: “Mais que o direito, vocês têm a obrigação de lutar pelo país de vocês. Contem o seu presidente para fazer tudo aquilo que for necessário para que nós possamos manter a nossa democracia e garantir aquilo que é mais sagrado para nós que é a nossa liberdade.  Todos no Brasil têm que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro. Tenho certeza todos nós um dia juramos dar a vida pela pátria e vamos fazer tudo o que for possível para  mudar o destino do Brasil. Chega da velha política. Agora, é o Brasil acima de tudo e deus acima de todos.

Em resposta

Pelo twitter, Jair Bolsonaro foi alvo de críticas de importantes figuras da área jurídica do país. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luis Roberto Barroso publicou que é assustador ver manifestações que peçam a volta à ditadura depois de 30 anos de democracia no país

"Só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve. Ditaduras vêm com violência contra os adversários, censura e intolerância. Pessoas de bem e que amam o Brasil não desejam isso" escreveu.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Felipe Santa Cruz também se manifestou. Pela rede social pediu que quem defenda a democracia deve se unir, superando diferenças "em nome do bem maior chamado liberdade".

No meio político, a manifestação desse domingo também foi alvo de crítica. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT) considerou inaceitável e repugnante qualquer ato que faça apologia a ditadura "O Brasil não se curvará jamais a esse tipo de ameaça."

A presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann também se manifestou pela rede social "Num momento grave e de incerteza, o país assiste ao presidente da República ñ apenas romper isolamento como apoiar a volta do AI5 e escancarar suas ameaças a democracia."E finalizou sua mensagem também pedindo que quem acredita na democracia deve se unir. 

Na mesma linha que Gleisi Hoffmann, Juliano Medeiros, presidente Nacional do PSOL, também destacou como o ato de Bolsonaro fere a constituição e as recomendações da OMS.