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Tirar alimentação da população em situação de rua em SP é promover política de morte

Ato na cidade de São Paulo faz a defesa da garantia da vida das pessoas em situação de rua, de ambulantes, de desempregados e de grupos vulneráveis

Publicado: 16 Janeiro, 2021 - 02h25 | Última modificação: 16 Janeiro, 2021 - 02h27

Escrito por: Vanessa Ramos -CUT São Paulo

Jamal Paiva/Divulgação
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O conceito de necropolítica ganhou alcance não apenas nos debates entre pesquisadores, mas também entre movimentos populares. Responsável por esta reflexão, o filósofo camaronês Achille Mbembe discute em seus textos sobre como o poder se apropria da morte como forma de gestão pública, a partir de mecanismos diversos e consensos múltiplos entre os indivíduos em sociedade.

As ideias de Mbembe podem ser entendidas em diferentes realidades, como a da capital paulista, palco de manifestações na última quinta-feira (14), em frente à Prefeitura de São Paulo, em protesto organizado pelo Movimento Estadual da População em Situação de Rua e cerca de 30 entidades, entre as quais a CUT São Paulo.

Algumas semanas depois das eleições, o prefeito Bruno Covas (PSDB), com apoio irrestrito do governador João Doria (PSDB), não somente demitiu profissionais da saúde em plena pandemia – foram 70 funcionários apenas no Hospital Municipal do Campo Limpo, na zona sul da capital -, como acabou com a gratuidade nos transportes públicos para idosos entre 60 e 65 anos e anunciou o fim de projetos como o Rede Cozinha Cidadã, responsável por distribuir alimentos à população em situação de rua no centro de São Paulo.

Em parceria com restaurantes, o projeto alcança hoje a distribuição de 7.500 marmitas por dia, preparadas por aproximadamente 60 restaurantes cadastrados. Contudo, as entidades criticam o corte de refeições que vem sendo promovido pela gestão municipal. De acordo com os movimentos, a Prefeitura anunciou que irá cortar 2.500 refeições e, no prazo de três meses, dará fim à ação.

É esta medida que o coordenador do Movimento Estadual da População em situação de Rua, Robson Mendonça, chama de “política de morte” promovida pela gestão municipal com apoio do governo paulista.

“Estamos vivendo um período difícil e sabemos que com a pandemia houve um aumento grande da população em situação de rua. Só na quadra dos bancários, no centro da cidade, chegamos a atender 2.200 pessoas que vão em busca de comida diariamente. Depois das eleições, o prefeito só se preocupou em aumentar seu salário e reduzir orçamento nas ações sociais. Esse descaso é uma escolha política que descarta vidas de uma população que não tem onde ficar, passa fome e está cada vez mais exposta ao coronavírus”, afirma.

De acordo com o bancário e vice-presidente da CUT São Paulo, Luiz Claudio Marcolino, outros grupos têm ido também em busca de alimentação.

“Existem famílias que estão indo buscar comida, trabalhadores informais e desempregados que fazem fila para conseguir sua marmita e garantir sua sobrevivência neste momento de crise profunda em que vivemos”, afirma o dirigente.

Além da manutenção no contrato e ampliação da quantidade de refeições do projeto Rede Cozinha Cidadã, as entidades reivindicaram ainda prioridade para a População em Situação de Rua no programa de vacinação da covid-19, a ampliação e diversificação da oferta de moradia digna e a continuidade e expansão do projeto Ação Vidas no Centro.

Durante o ato, as entidades cobraram uma audiência com o prefeito, mas não foram recebidos. Nas falas e cartazes, os movimentos também exigiram o aumento das vagas de hotéis para a população em situação de rua durante a pandemia, a prorrogação do benefício emergencial municipal e o retorno da gratuidade no transporte público a partir de 60 anos.