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Sindicatos do PR, MS e SC criam campanha salarial unificada para negociar com JBS

Iniciativa reúne oito entidades para lutar por melhores salários e condições de trabalho

Publicado: 07 Outubro, 2021 - 12h33 | Última modificação: 07 Outubro, 2021 - 12h59

Escrito por: Vanessa Ramos, da CUT-SP, e Gibran Mendes , da CUT-PR

ANPr/ SINDIAVIPAR/Fotos Públicas
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Oito sindicatos do ramo da alimentação criam pela primeira vez uma campanha salarial unificada entre estados para negociar com a multinacional JBS/Seara. A iniciativa reúne unidades do Paraná, de Santa Catarina e do Mato Grosso do Sul, onde atos têm ocorrido no último período.

Com os trâmites para a negociação unificada organizados desde agosto, a ideia é dialogar com a empresa salários dignos e melhores condições de trabalho de forma unificada para toda a categoria. A data-base é entre outubro e novembro.

“Esta mesa de negociação feita com diferentes sindicatos tem importância ímpar. Existe uma unificação dos sindicatos e federação no Rio Grande do Sul também que, assim como esta iniciativa, fortalece nossa ação sindical", afirma José Modelski Júnior, secretário-geral da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação (Contac-CUT).

"Estamos falando da maior empresa de proteína animal do mundo que não negocia e sempre busca fragmentar as entidades sindicais”, acrescenta o sindicalista lembrando que só no 2º trimestre de 2021, a JBS registrou lucro líquido de R$ 4,4 bilhões, o que representa 29,7% a mais em comparação com o mesmo período em 2020. 

A unidade na campanha salarial pode fortalecer também a luta contra as práticas antissindicais de indústrias da alimentação que a própria Contac já denunciou diversas vezes.

O setor é um dos campeões de ações na Justiça do Trabalho com acusações de assédio moral, excesso de jornada de trabalho e que, não raro, deixa seus trabalhadores e trabalhadoras multilados. 

Do ramo da alimentação, Vilson Gregório, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carne e Derivados de Campo Grande (STIC-CG) e da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Estado de Mato Grosso do Sul (FTIA), avalia que a relação com a JBS é sempre unilateral.

“Em Campo Grande, por exemplo, numa base de quase 5.000 trabalhadores de duas plantas da JBS de abate de bovinos, as negociações há mais de quatro anos têm sido decididas na Justiça, justamente pela falta de diálogo", relata.

"Negociamos com a JBS as cláusulas do acordo coletivo e depois de alguns anos, ela mesma propõe retirar conquistas acordadas, por exemplo, a discussão recente de não trabalhar aos sábados”, complementa o dirigente.

Unir as forças

O debate realizado é contra a vontade da empresa, enfatiza o dirigente do Sindicato de Trabalhadores da Indústria da Alimentação de Criciúma e Região, em Santa Catarina, Célio Elias. A empresa, segundo análise dos dirigentes, aposta na fragmentação da base para seguir com a exploração da mão de obra. 

“Uma das discussões com a empresa é sobre a redução de ritmo de trabalho. O Ministério Público do Trabalho orienta a pendura de 12 frangos vivos por minuto. Na unidade de Sidrolândia a pendura é de 22 frangos por minuto. Em Forquilhinha, que tem o mesmo mix de produção, a pendura é menor, mesmo com número maior de trabalhadores”, destaca.

Segundo Elias, a unidade da JBS em Sidrolândia (MS) abate 210 mil frangos por dia, enquanto a unidade de Forquilhinha (SC) abate 180 mil frangos.

“Além da questão salarial, os trabalhadores precisam ter essas informações para proteger sua saúde e ter valorização por parte da JBS, que resiste na negociação com os oito sindicatos.”.

Neste sentido, uma campanha salarial unificada, na avaliação do presidente da CUT Paraná, Marcio Kieller, irá não apenas fortalecer o ramo da alimentação como servirá de exemplo a outras categorias.

“Unir as forças, estabelecer parâmetros mínimos que mantenham a igualdade entre os trabalhadores e reforçar a luta de forma conjunta. Esse é o exemplo que precisamos seguir. Os benefícios e resultados deste esforço conjunto é demonstrado a partir da experiência dos bancários e bancárias de todo o Brasil”, completa Kieller, que também é trabalhador do sistema financeiro.

Para saber mais - "Carne, Osso" é um documentário produzido no início da década passada e que demonstra a rotina e os reflexos do trabalho nos frigoríficos. Exposição a instrumentos cortantes, movimentos repetitivos até a exaustação, pressão psicológica, assédio, jornadas exaustivas e uma temperatura baixissíma. Estes são apenas alguns dos problemas mostrados pelo documentário e que, infelizmente, continua mais do que atual.