Sindicato promove evento “Diálogos de Fé” para combater a intolerância religiosa
Programação ao longo de março reúne cine debates, oficinas e manifestações culturais para enfrentar o racismo religioso e fortalecer a liberdade de crença na classe trabalhadora
Publicado: 27 Fevereiro, 2026 - 15h30 | Última modificação: 27 Fevereiro, 2026 - 15h50
Escrito por: Amanda Monteiro - Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região
O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região realiza, durante todo o mês de março de 2026, o projeto “Diálogos de Fé – Luta pela Liberdade Religiosa”. A iniciativa surge como uma resposta política e social necessária ao crescimento dos casos de intolerância no Brasil, buscando não apenas o debate teórico, mas a ocupação de espaços com cultura, educação e resistência interreligiosa.
Com uma programação que inclui cine debates, mesas temáticas, oficinas e manifestações culturais, o evento foca no enfrentamento direto ao preconceito e na valorização das religiões de matrizes africanas.
Para a diretoria do Sindicato, a liberdade de crença é uma pauta intrinsecamente política, pois o ataque às religiões de matriz africana é um braço do racismo estrutural que atinge a classe trabalhadora.
“Não podemos separar a luta sindical da luta pelos direitos humanos e pela liberdade de existir e crer. O projeto nasce para enfrentar o preconceito que ainda é muito forte em nossa sociedade. Discutir intolerância religiosa é, antes de tudo, um ato político de defesa da democracia e da nossa diversidade cultural”, afirma Silvio Ferreira, secretário-geral do Sindicato e um dos organizadores do evento.
O dirigente sindical Fábio Rossy, que integra a comissão organizadora, reforça que a ocupação cultural é uma forma de resistência.
“Trazer nomes de mulheres e homens históricos na resistência da nossa religião para dentro do debate sindical mostra que o Sindicato está atento às pautas que estruturam as opressões no Brasil. Nossa programação de cinema e as vivências de Maracatu e Capoeira servem para mostrar que a nossa fé e a nossa cultura são vivas e não serão silenciadas pelo ódio”, destaca Rossy.
21 de março: uma data que carrega significado
A escolha do mês e da data de referência do projeto não é aleatória. O dia 21 de março marca o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, instituído pela ONU e no Brasil, o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé.
Ao ancorar o projeto nessa data simbólica, o Sindicato reforça que a intolerância religiosa contra as religiões de matriz africana está profundamente ligada ao racismo estrutural e à exclusão histórica da população negra no Brasil.
Para Silvio Ferreira, a iniciativa dialoga diretamente com a identidade da classe trabalhadora e com o compromisso histórico do movimento sindical:
“Escolher o mês de março como marco do Projeto é afirmar que combater a intolerância religiosa também é enfrentar o racismo. Não existe democracia plena enquanto trabalhadores e trabalhadoras forem atacados por sua fé, por sua cultura e por sua origem. O Sindicato tem o dever de estar ao lado da diversidade e da dignidade humana.”
Em breve a programação completa pelo site do SMetal.