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Sindicalistas da CUT-SP reafirmam compromisso de luta pela liberdade de Lula

Jornada das Mulheres realiza mais uma visita à Vigília em Curitiba, em defesa da democracia e dos direitos

Publicado: 17 Setembro, 2019 - 14h19 | Última modificação: 17 Setembro, 2019 - 14h39

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

Secom CUT-SP
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Comprometidas com a luta pela liberdade do ex-presidente Lula, as sindicalistas da CUT-SP estiveram, mais uma vez, na Vigília Lula Livre em Curitiba (PR). A caravana foi composta por mulheres trabalhadoras de diversas categorias de São Paulo que estiveram na capital paranaense nos dias 12 e 13 de setembro.

Ao longo dos dois dias, uma intensa agenda de atividades compôs a participação das trabalhadoras, como rodas de conversa e troca de experiências com os demais movimentos também presentes.

A ida das mulheres conta com o apoio do Coletivo da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, que tem Márcia Viana à frente. “Viemos com as domésticas, vestuário, bancárias, municipais, químicas, trabalhadoras da saúde. Nosso coletivo está aqui pela terceira vez, pois estamos dentro de uma jornada em defesa dos direitos, soberania e da democracia, e só iremos encerrá-la quando Lula for solto, pois reconhecemos nele as grandes conquistas que tivemos, seja na ampliação de direitos ou no enfrentamento à violência contra a mulher”, disse a dirigente.

A Vigília Lula Livre ocorre desde o dia 7 de abril de 2018, quando Lula foi detido pela Polícia Federal mesmo sem provas sobre sua participação em algum crime. Diariamente, os participantes realizam ações denunciando a prisão política e fazem o tradicional ‘bom dia, boa tarde e boa noite, presidente’, que o próprio Lula confirmou ouvir e afirmar que responde.

O local, que fica em frente à Superintendência da PF, se tornou o símbolo de luta que tem mobilizado pessoas de todo o mundo contra a prisão ilegal do ex-presidente. Formada por movimentos sociais e sindical, a vigília tem recebido a visita de diversas personalidades do campo político, jurídico, religioso e artístico. Um ambiente plural, com pessoas de todas as idades que veem em Lula a representação de todas as bandeiras de defesa dos direitos humanos e sociais – muitas vezes refletidos nos depoimentos de gratidão que cada pessoa tem em relação ao ex-presidente.

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Além da saudação ao ex-presidente, uma carta escrita por elas também foi lida na atividade

Com a participação das mulheres, além da saudação ao ex-presidente, uma carta escrita por elas também foi lida na atividade. “Assim como ao longo de toda história de vida e de luta do maior líder político, do maior e melhor presidente que o Brasil já teve, história esta contada, recontada e registrada nas mais variadas línguas, que você, Lula, este homem sem igual, este ser iluminado, nunca esteve sozinho. O povo está contigo! Nós, mulheres, estamos contigo! E a história mostra que este eco e reciprocidade, são poucos que conseguem”, diz trecho da missiva.

Prêmio Nobel da Paz

Durante a presença das mulheres, a Vigília recebeu a visita do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, e do sociólogo espanhol Ignacio Ramonet, que antes visitaram Lula.

No encontro, o argentino Esquivel disse ter expectativas sobre o anúncio do próximo laureado com o Nobel 2019, previsto para ocorrer daqui a um mês. “Não sabemos o que pode ocorrer, mas seria muito importante que fosse outorgado a Lula. Seria o primeiro prêmio Nobel do Brasil”, afirmou.

Já o espanhol Ramonet contou que na conversa com Lula, o ex-presidente pediu que as pessoas reforçassem a divulgação das revelações do site The Intercept Brasil, que escancaram o golpe articulado por alguns membros da Justiça para impedi-lo de seguir liderando o campo progressista no país.

“Ele pensa que isso não está sendo difundido o suficiente. Uma parte da grande imprensa brasileira está boicotando a difusão das informações, muito reveladoras da fraude e da manipulação jurídica que lhe foi imposta”, diz o sociólogo.

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A Vigília recebeu a visita do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, e do sociólogo espanhol Ignacio Ramonet, que antes visitaram Lula

Um ‘puta’ debate

Ainda na quinta, foi realizada uma roda de conversa com Betânia Santos, coordenadora da Associação Mulheres Guerreiras, organização de Campinas que atua na defesa e proteção de profissionais do sexo. Ela falou sobre a Associação que foi criada em 2004 com o objetivo de organizar a categoria, prestar auxílio jurídico e combater as violações de direitos.

Betânia relatou casos de violência dos quais a entidade conseguiu fazer intervenção e desmistificou conceitos que, às vezes, causam confusão entre as pessoas. “Lutamos por dignidade e condições mínimas de trabalho. Com a aprovação do PL Gabriela Leite (PL 4.211/12), por exemplo, teríamos garantias para acordar questões de trabalho nos locais onde gostaríamos de atuar, evitando o cárcere privado, tráfico de pessoas e a exploração sexual, situações que acontecem hoje por ser proibida a vinculação da profissional do sexo a um local de trabalho”, disse.

Com diálogo franco sobre um assunto que gera polêmica e controvérsia na sociedade, dividindo opiniões, as participantes entenderam ser necessário o aprofundamento desse debate dentro da CUT – entidade que sempre esteve na vanguarda dos assuntos relacionados ao mundo do trabalho.

Pela soberania nacional

Já na sexta (13) pela manhã, o debate foi em torno dos ataques às estatais feitas pelo atual governo de Jair Bolsonaro (PSL) e a defesa da soberania nacional. A petroleira e dirigente da CUT Paraná, Anacelie de Assis Azevedo, as bancárias do ABC e de São Paulo, Inez Galardinovic e Ana Beatriz Garbelini, falaram sobre a importância de lutar pelas empresas públicas que são responsáveis pelo desenvolvimento econômico e social, como financiamentos de habitações, agricultura familiar e investimentos em saúde e educação, por exemplo.

Nesse momento, a indígena Jovina Rehn Ga fez uma oração do povo kaingang à vigília, emocionando os presentes.

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As sindicalistas da CUT-SP também levaram canções e poesias para compartilhar com os participantes da Vigília

Mas antes do retorno a São Paulo, as mulheres receberam, ainda, a visita da deputada federal Gleisi Hoffmann, que também é advogada de Lula e foi agradecer, em nome do ex-presidente, a presença delas. A deputada falou ainda sobre a importância de permanecer nas ruas denunciando as mazelas do atual governo. “O nosso lado é o do povo, que está sentindo a crise que ocorre no país, com o desemprego, a baixa renda, a vida das pessoas piorou. Esse governo não tem solução para a vida econômica do povo, pois não propõe nada para aliviar a crise. Tudo o que eles propõem é reforma”.

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Na luta até a soltura de Lula

Na mensagem final, as mulheres da CUT-SP reforçaram que estarão em Curitiba quantas vezes for necessário, até que o presidente tenha sua liberdade aprovada. Em São Paulo, elas seguirão com agenda de luta na qual a defesa do ex-presidente é uma das principais bandeiras.

“Estar aqui é um momento de ressignificação, de esperança, apesar de todas as dificuldades que estamos vivendo, de todos os setores, como as privatizações, o desmatamento, a vergonha que temos passado do ponto de vista das nossas relações exteriores, e da prisão arbitrária do presidente Lula, que com sua força interna nos diz o tempo todo que não podemos desanimar, pois antes de estarmos aqui, muitas outras gerações lutaram para que tivéssemos a liberdade, a democracia e os nossos direitos”, disse Adriana Magalhães, secretária de Comunicação da CUT-SP.

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A estrutura do local é solidária e os participantes revezam nos afazeres do local