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Servidores paulistanos completam 17 dias de greve unificada contra o Sampaprev 2

Funcionalismo municipal afirma que mudanças irão retirar direitos e confiscar salários

Publicado: 05 Novembro, 2021 - 14h54 | Última modificação: 05 Novembro, 2021 - 17h10

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Alexandre Linares/Sindsep-SP
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Os servidores municipais de São Paulo completam 17 dias de greve nesta sexta-feira (5) contra a reforma da previdência – a chamada Sampaprev 2 – encaminhada à Câmara pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) e aprovado, em primeira votação pelos vereadores, no dia 14 de outubro. O texto teve 37 votos a favor e 16 contrários.

Para entrar em vigor, o Projeto de Emenda à Lei Orgânica (PLO) nº 7, de 2021, precisa passar por uma segunda votação em plenário, prevista para ocorrer entre os dias 9 e 12 de novembro.

A reforma da Previdência propõe que os aposentados municipais, que recebem mais de um salário mínimo, passem a contribuir para a previdência municipal.

Braços cruzados

A greve envolve, entre outras categorias, trabalhadores da educação, da saúde, das subprefeituras, da cultura e das unidades de vigilância sanitária.

“O mais grave nesse projeto é o confisco de 14% do salário dos aposentados, incluindo os que ganham acima de R$ 1.100. E tem algo que chamamos de segregação de massas, que é o governo criando dois fundos de Previdência. Um fundo para os servidores antigos, outro para os novos que entraram a partir de 2018. Isso vai levar a uma quebradeira dos dois fundos”, afirma o secretário de Imprensa do Sindicato dos Servidores Públicos de São Paulo (Sindsep-SP), João Batista Gomes.

“Na verdade, a proposta quebra com a Previdência pública e solidária, uma vez que aqueles que estão entrando não irão contribuir para os mais velhos, que é o princípio da solidariedade entre gerações. E os aposentados representam o grupo que menos ganha na Prefeitura”, completa o dirigente, que também integra a direção executiva da CUT Nacional.

Na quinta-feira (4), os trabalhadores realizaram o oitavo ato, seguido de assembleia, contra o chamado Sampaprev 2, decidindo pela continuidade da paralisação.

“Essa é uma luta que já dura 3 anos. É bom lembrar que essa reforma municipal segue a mesma lógica da reforma da Previdência da Emenda Constitucional 103, que o Bolsonaro aprovou em 2019. Não é o primeiro ataque do prefeito, mas agora ele volta com tudo para atacar os servidores.”

Na próxima quarta-feira (10), os servidores realizarão assembleia, a partir das 14h, em frente à Câmara Municipal de São Paulo.

"É importante destacar a importância que têm os sindicatos para organizar as categorias dos servidores para que possamos avançar nas lutas contra o Sampaprev2 e contra a PEC 32 (reforma Administrativa do governo Bolsonaro), pois é preciso debater com a população o que significam essas reformas neoliberais e a ameaça que trazem, não só aos direitos dos servidores, mas também aos serviços públicos", conclui o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo.