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Servidores municipais derrotam Doria e reforma da Previdência é suspensa

Servidores responderam com outro grande ato em frente à Câmara

Publicado: 27 Março, 2018 - 18h57

Escrito por: Rafael Silva- CUT São Paulo

Roberto Parizotti/CUT
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Após grande demonstração de resistência e unidade, os servidores municipais conseguiram uma grande vitória na noite desta terça (27): o PL do Extermínio (621) foi retirado da pauta de todas as sessões da Câmara Municipal e será reapresentado novamente após 120 dias.  
 
A poucos dias para abandonar o cargo, o prefeito João Doria (PSDB) correu contra o tempo para deixar sua “última marca de maldade”, aumentando o valor da contribuição dos servidores na Previdência Municipal de 11% para 14%. Mas sofreu essa grande derrota por não conseguir votos suficientes de sua base.
 
No texto substitutivo do PL 621 apresentado hoje (27), Doria retirou a alíquota extra que alimentaria as aposentadorias suplementares, conhecida como Sampaprev. Mas numa manobra para convencer os trabalhadores, prometeu um reajuste de 8% nos salários dos professores e de 24% no piso salarial do conjunto do funcionalismo municipal. 
 
Na segunda (26), a gestão do tucano convidou representantes das entidades da categoria para uma Mesa Central de Negociação e explicar o que foi alterado no projeto. Segundo o Sindicato dos Servidores Municipais (Sindsep), o encontro tinha o objetivo de ser “uma cortina de fumaça”, já que em 2017 nunca houve diálogo por parte do governo. Na tarde desta terça, Doria também convocou uma coletiva de imprensa para apresentar as mudanças no texto e jornalistas da imprensa sindical foram impedidos de participar.
 
Presente na coletiva, o presidente da Câmara, Milton Leite (DEM), disse que pretendia convocar reunião de todas as comissões da Casa para deliberar sobre o projeto e votá-lo nesta terça, em sessão extraordinária. Para passar, eram necessários 28 votos, o que não foi possível conseguir graças à pressão dos servidores, que realizam greve desde 8 de março, promovem os maiores atos na história do funcionalismo e utilizam as redes sociais e o site “Na Pressão” para pedir a retirada da pauta.
 
100 mil nas ruas
Diante da ameça de votação neste terça, os servidores lotaram novamente o Viaduto Jacareí, em frente à Câmara Municipal, cobrando dos vereadores um posicionamento contrário ao PL 621. Em assembleia, que reuniu os principais sindicatos da categoria, entre eles os CUTistas Sindsep, Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal (Sinpeem), Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos (Sindguardas), Sindicato dos Médicos (Simesp) e Sindicato dos Arquitetos (Sasp), os cerca de 100 mil participantes chegaram a deliberar pela continuidade da greve.
 
“A categoria consciente do risco que corre, com a aprovação desse projeto, deu a greve como resposta. O resultado é que o prefeito não tem os votos necessários para aprovar esse confisco. Mas não podemos esmorecer. A tarefa é seguir na resistência, convencer os companheiros que ainda não aderiram à paralisação e a pressionar os vereadores”, disse o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo.
 
Servidora municipal e secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Junéia Batista classifica como absurdo o prefeito ignorar a mobilização que ocorre na cidade. “O Doria tem que respeitar a vontade do funcionalismo e não colocar goela abaixo um projeto de lei que acaba com direitos da classe trabalhadora”, afirmou.
 
Durante o ato, os nomes dos vereadores “traidores” foram ditos nos carros de som, recebendo vaias em seguida. 
 
“Entendemos que não só o aumento da aliquota, mas todas as mudanças que vem junto a esse projeto, vai exterminar a nossa aposentadoria e acabar com os nossos direitos. Também tem um potencial grande de acabar com o serviço público da saúde, da educação e outras áreas”, disse Juliana Salles, do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).