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Servidores protestam contra privatização do SUS e reforma administrativa

Bolsonaro assinou decreto que entrega as UBS, os chamados postos de saúde, à iniciativa privada

Publicado: 28 Outubro, 2020 - 17h53 | Última modificação: 28 Outubro, 2020 - 18h09

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

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Nesta quarta-feira, 28, servidores e servidoras de todo país estão nas ruas protestando contra os ataques constantes do governo Bolsonaro (ex-PSL) aos serviços públicos. Em São Paulo, a manifestação ocorreu na Praça do Patriarca, no centro, e reuniu sindicatos que compõem o Macrossetor do Serviço Público da CUT.

O ato, já marcado por conta do projeto de reforma administrativa, ganhou reforço após o governo federal, na noite de terça (27), publicar decreto que permite a privatização das Unidades Básicas de Saúde (UBS), conhecidos como "postinhos" e que é a principal porta de entrada de acesso a toda rede do SUS.

O decreto 10.530, de 2020, é assinado pelo presidente Bolsonaro e por seu ministro da Economia, Paulo Guedes, e tem gerado reações intensas de trabalhadores.

“É por isso que estamos nas ruas das principais capitais neste dia 28 de outubro, Dia do Servidor Público, pois não temos o que comemorar. Estamos diante de um brutal ataque dos governos federal, estaduais e municipais. Os que estão no poder querem transformar tudo o que são nossos direitos, garantidos por muita luta, em mercadoria" afirmou o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo.

Para o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep-SP) e da coordenação do Macrossetor do Serviço Público, Sérgio Antiqueira, além da intenção em faturar em cima dos serviços públicos, atendendo a interesses empresariais, o governo deseja inchar a máquina pública com pessoas alinhadas à extrema-direita.

"Bolsonaro defende essa reforma para se perpetuar no poder. Quer acabar com a estabilidade para garantir que o funcionalismo não seja mais feito por pessoas concursadas e de carreira, para que ele possa substituir por gente comissionada para ficar no gabinete do ódio”, disse.

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Presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Públicos na Saúde do Estado de São Paulo (SindSaúde-SP), Cléo Ribeiro lembrou que a política do governo federal em nada se difere da política estadual de São Paulo, sob João Doria (PSDB). "Tentam se mostrar de lados diferentes, mas atacam igualmente os trabalhadores públicos".

Já Vivia Martins, dirigente do Sindserv de São Bernardo do Campo e secretária de Assuntos Jurídicos da CUT-SP, ressaltou a necessidade de desmentir a narrativa de que os servidores causam grandes dívidas aos cofres públicos. "Isso é uma grande mentira. Temos muitas vezes de pagar para trabalhar. Muitos professores estão tendo que dar aula em casa sem estrutura nenhuma e usando seus equipamentos pessoais".

Entre os participantes do ato, a preocupação em relação ao desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS) foi amplamente reforçada. "As unidades básicas (USB) são a estruturação da atenção primária no Brasil. Elas são a porta de entrada para todos os cidadãos, garantindo a prevenção das doenças e a qualidade de vida. Entregar esse serviço à iniciativa privada trará muitas consequências ruins, pois irão querem lucrar com isso", disse Juliana Salles, dirigente do Sindicato dos Médicos e secretária-executiva da CUT-SP.

Ainda hoje, outro ato está previsto para ocorrer em Campinas, no Largo do Rosário.