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São Paulo prefere aumentar tarifas, em vez de baratear custos do transporte

Novos valores das passagens na capital paulista traz um impacto maior para usuários que moram longe e precisam integrar o transporte entre ônibus e trens

Publicado: 09 Janeiro, 2019 - 12h34 | Última modificação: 10 Janeiro, 2019 - 13h25

Escrito por: Rede Brasil Atual

Rovena Rosa/Agência Brasil
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Especialistas ouvidos pela TVT avaliam que, além de prejudicar os trabalhadores, o aumento – acima da inflação – das passagens do transporte público em São Paulo, não acompanha a renda da população.

O aumento para os ônibus, trens e metrô na capital paulista foi anunciado em 29 de dezembro pelo prefeito Bruno Covas (PSDB). A passagem aumentou de R$ 4 para R$ 4,30 – um percentual de 7,5%, ante uma inflação estimada em cerca de 3,5% no ano passado. A gestão Covas justifica que não houve reajuste em 2016 e 2017 e que, em 2018 o reajuste ficou abaixo da inflação.

De acordo com Rafael Calábria, pesquisador de mobilidade urbana do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o aumento é uma escolha errada. "Ele foi tratado como única opção. A questão da inflação ocorre todo ano, mas a prefeitura e o governo estadual precisam achar formas de financiar o custo do transporte para não precisar cobrar só do usuário na tarifa", critica.

Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o transporte custaria, hoje, R$ 3,82 em valores corrigidos desde 2004, quando o bilhete único foi criado.

Rafael afirma que o aumento da tarifa causa um impacto maior para usuários que moram longe e precisam integrar o transporte em ônibus com os em trens. "A prefeitura fica usando manobras e criando dados para tentar reduzir o impacto do que ela fez, por que não faz um serviço organizado de buscar fundos e baratear o transporte", afirma o pesquisador.

Já Silvana Maria, professora de transporte e mobilidade urbana da Universidade Federal do ABC (UFABC), a tarifação deve seguir a média de custo de vida da população. "Mesmo que a gente tem algumas outras estratégias de pagamento do transporte, como o vale transporte, o custo é deste serviço para o usuário tem que estar compatível à sua capacidade de pagamento", explica.

Isaías Adriano Silva, que é encarregado de manutenção, utiliza os coletivos da cidade de São Paulo e se queixa da falta de qualidade e alcance do transporte público, apesar do aumento no preço. "O que chateia a gente nem é a infraestrutura, mas a falta de acesso para todo mundo. Se você aumentar a infraestrutura, mas só um grupo utiliza isso, não é algo social", lamenta.

O Movimento Passe Livre (MPL) realiza, nesta quinta-feira (10), um protesto contra o reajuste no valor da tarifa do transporte público em São Paulo. O ato está marcado para as 17h, na Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital.

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT

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