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Samba é música de alegria, protesto e resistência

Dirigentes sindicais e sambistas falam sobre o ritmo que é símbolo do Brasil

Publicado: 06 Dezembro, 2022 - 13h40 | Última modificação: 07 Dezembro, 2022 - 12h50

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Marcello Casal jr/Agência Brasil Geral
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No mês em que se comemora o Dia Nacional do Samba, celebrado no dia 2 de dezembro, a cantora e compositora, Leci Brandão, umas das mais importantes intérpretes de samba da música popular brasileira, fala sobre o ritmo consagrado como ícone de brasilidade.

“Uma vez eu ouvi uma definição do meu amigo Martinho da Vila sobre o samba que nunca esqueci. Ele costuma dizer que o samba é a música da alegria. Concordo, mas eu também vejo o samba como a música do protesto, da crítica social e da resistência".

Leci iniciou sua carreira na década de 1970, e foi a primeira mulher a participar da ala de compositores da Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro. Em sua trajetória, gravou 25 álbuns e dois DVDs.

“Quando a gente vê uma roda de samba ou um desfile de escola no sambódromo, estamos vendo a história de negros e negras resistindo, apesar de tudo o que fazem com nosso povo no dia a dia, apesar de terem tentado, desde sempre, nos invisibilizar e acabar com a nossa existência”, afirma.

Para Leci, as escolas de samba com enredos sobre a cultura e a religião do povo negro expressam resistência mesmo depois de séculos de escravização e de racismo. “Samba é a nossa essência, resistência e ancestralidade”, salienta.

Reconhecimento

Presidente da CUT-SP, Douglas Izzo faz menção ao trecho do samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira: “Livre do açoite da senzala, preso na miséria da favela”. Para ele, essa passagem esboça com sabedoria a história do país.

Esse fragmento ilustra, de acordo com Izzo, o que significou a chamada ‘abolição da escravatura’, em 13 de maio de 1888. Passados 134 anos da promulgação da Lei Áurea pela Princesa Isabel, a desigualdade social segue evidente na comparação entre brancos e negros.

“O samba tem relação com a própria história do povo negro, fala sobre racismo, violência, fome, miséria e luta”, afirma o dirigente, que tem como uma das marcas de sua gestão o projeto “Samba da Resistência”, que promove apresentações musicais e diálogo a partir do recorte racial e da luta de classes.

Para o secretário de Cultura da CUT-SP, Carlos Fábio, mais conhecido como Índio, o ritmo demarca a história dos terreiros, uma forma de dançar, de se vestir. “Herança africana que é sinônimo de alegria, de respeito e de acolhimento. O samba tem magia”, descreve.

Segundo o cantor e compositor André Ricardo, o samba é influenciado por ritmos africanos e também encontra novas influências já do novo mundo no Brasil.

“O maxixe é uma dança que tem influência do tango e do jongo, que até hoje resiste no Vale do Paraíba e no Rio de Janeiro. Podemos dizer que o jongo é avô do samba e dá origem a uma linhagem de samba chamada ‘partido alto’. A partir daí, do encontro do choro e de todos esses ritmos, forma-se o samba”, ensina.

Para André Ricardo, que milita no samba desde 1992 como músico e vem sendo intérprete de escolas de samba há 20 anos, o ritmo é hoje a maior expressão da periferia, do subúrbio, do gueto, dos lugares onde os negros foram habitar, se tornando reconhecido internacionalmente por conta do carnaval.

“O samba é vida, traz alegria, transmite tristezas e faz parte do relicário tão bonito que é a música popular brasileira. O samba salva vidas”, finaliza.