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Saída de Teich evidencia um governo na contramão do combate ao coronavírus

Ministro deixa o cargo em meio à pandemia da Covid-19

Publicado: 15 Maio, 2020 - 19h34 | Última modificação: 15 Maio, 2020 - 20h53

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Prestes a atingir 15 mil mortes por coronavírus, dado o crescimento do número de óbitos por dia, o Brasil tem seu segundo ministro da Saúde, indicado por Bolsonaro (sem partido), deixando o cargo. O médico oncologista, Nelson Teich, acaba de anunciar o pedido de demissão nesta sexta-feira (15), menos de um mês depois de assumir o cargo.

Até hoje, o país registra 218.223 casos confirmados e 14.817 mortes por coronavírus, segundo dados do Ministério da Saúde.

O Brasil ocupa neste momento a sexta posição entre os países mais afetados por coronavírus no mundo, seguido da Itália (223 mil), Espanha (274 mil), Reino Unido (236 mil), Rússia (262 mil) e Estados Unidos (1,4 milhão).

Para o secretário de Saúde do Trabalhador da CUT-SP, José Freire, o atual cenário demonstra a incapacidade de o governo Bolsonaro administrar a atual crise política e sanitária.

“Os ministros não concordaram com o sistema de governar de Bolsonaro, que está na contramão do combate ao coronavírus. Enquanto isso, seguimos reforçando a importância do isolamento social para combater a pandemia porque a vida deve estar em primeiro lugar. Não temos visto uma gestão que se preocupe com o povo brasileiro de fato”, afirma.

Médica infectologista e diretora executiva da CUT-SP, Juliana Salles destaca ainda que um dos graves problemas se refere à defesa desmedida do presidente ao uso da cloroquina.

“Não há comprovação de sua eficácia, é questionada por pesquisadores de todo o mundo e não deveria ser utilizada sem controle por seus efeitos colaterais. Tudo que estamos vendo é reflexo desse governo obscurantista e autoritário que não preza pela vida da classe trabalhadora”, diz.

Juliana critica também o perfil dos ministros escolhidos. “Não podemos esquecer que Teich e Mandetta são representantes dos empresários e dos planos privados e isso diz muito sobre a condução da política que vem sendo feita e o desmonte do SUS [Sistema Único de Saúde]. Mesmo assim, os ministros não ficaram no cargo deste governo, que trabalha no caos e no sentido da militarização dos ministérios, essencialmente, tornando esses espaços de poder cada vez mais subservientes”, conclui a dirigente.