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Projetos como o Cozinha Solidária ajudam a garantir segurança alimentar no ABC

Graças ao governo federal, Brasil voltou a figurar entre os países onde a população não tem o que comer

Publicado: 19 Outubro, 2021 - 11h52 | Última modificação: 19 Outubro, 2021 - 11h57

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

Reprodução
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No início desta semana viralizou nas redes sociais um vídeo mostrando um grupo de pessoas procurando alimentos em um caminhão de lixo. O episódio, que ocorreu no bairro Cocó, área nobre de Fortaleza (CE), comoveu internautas e mais uma vez chamou a atenção para os casos de fome que avançam país.

Desde que o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) teve início, em janeiro de 2019, situações como a da cidade cearense tornaram-se comuns em todos os cantos do país. Diariamente, circulam notícias, vídeos ou fotos mostrando o desespero dos que não conseguem garantir comida ao menos uma vez por dia.

Levantamento divulgado neste mês pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) mostra que 19,1 milhões de pessoas passam fome no país. Além disso, com a pandemia de covid-19, quase 117 milhões de cidadãos enfrentam algum grau de insegurança alimentar, seja leve, moderada ou grave.

Mas a situação poderia ser muito pior se não fosse a atuação de movimentos populares, principalmente em bairros periféricos das cidades. Uma dessas ações é o projeto Cozinha Solidária, espaço coordenados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) que produz e distribui diariamente marmitas a quem está em situação de rua ou famílias passando fome.

As unidades do projeto estão espalhadas em comunidades no estado de São Paulo e em outros 10 estados brasileiros e funcionam com a ajuda de voluntários que preparam os alimentos. O projeto também incentiva o cultivo de hortas urbanas comunitárias, que ajudarão a fornecer alimentos para o local.

Em Santo André, o Cozinha Solidária foi inaugurado em maio e tem o apoio de sindicatos da região, como o Sindicato dos Bancários do ABC, o Sindicato dos Servidores Públicos de São Bernardo do Campo (SindServ SBC) e a Federação Única de Petroleiros (FUP), e de organizações como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que ajudam com a arrecadação de alimentos e botijões de gás.

“Estamos num momento de muitas dificuldades neste país por conta do governo genocida. E são as ações como essa do Cozinha Solidária que têm ajudado a não piorar o quadro. Ações realizadas pela população, pelos movimentos social e sindical, e que buscam levar dignidade e solidariedade neste momento de dificuldade” afirma Belmiro Moreira, secretário de Comunicação da CUT-SP e dirigente do Sindicato dos Bancários do ABC, que acompanhou a distribuição de marmitas na Favela do Amor, no Complexo Santa Cristina, em Santo André, no último sábado (16).

As cozinhas comunitárias sempre foram citadas como exemplo de organização, coletividade e solidariedade nos movimentos que lutam por moradia digna e políticas de habitação, como é o caso do MTST. Durante as ocupações, a cozinha é geralmente o primeiro espaço a ser criado.

Uma plataforma online foi criada para os que desejam colaborar com doações. Clique aqui para acessar. “Parabéns ao MTST, aos movimentos sindical e social, e aos trabalhadores e as trabalhadoras que fazem esse projeto, assim como muitos outros, seguir adiante”, finaliza Belmiro.