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Professores e movimentos populares farão carreata em São Paulo contra volta às aulas

Governador prevê o retorno às aulas em todos os níveis de ensino das redes pública e particular para o dia 8 de setembro

Publicado: 24 Julho, 2020 - 18h34 | Última modificação: 28 Julho, 2020 - 16h56

Escrito por: Vanessa Ramos

Divulgação
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Professores da rede pública estadual paulista, entidades sindicais e movimentos populares, entre os quais o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e a CUT, farão carreata, nesta quarta-feira (29), em protesto contra a volta às aulas presenciais sem um controle efetivo da pandemia de Covid-19.

Assim como pais e mães estão aflitos com os riscos que as crianças correm e nem sequer pensam em mandar seus filhos de volta às aulas enquanto a curva de contaminação da Covid-19 estiver em alta, também professores, sindicalistas e representantes dos movimentos sociais estão preocupados com a vida dos profissionais de educação, das crianças e dos familiares de todos que forem expostos a convivência escolar neste grave momento.

Carreata pela vida

A concentração da carreata ocorrerá pela manhã (acompanhe as atualizações) em frente ao Estádio do Morumbi, na zona sul da cidade de São Paulo. De lá, os participantes seguirão até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. As entidades organizadoras orientam aos participantes o uso de máscaras e álcool em gel.

Como anunciado na semana passada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, a retomada das atividades escolares está prevista para 8 de setembro, apesar do aumento dos casos confirmados de coronavírus no estado.

Até a tarde desta segunda-feira (27), São Paulo chegou a 487.654 mil casos confirmados 21.676 mortes por Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Apenas sete dos 645 municípios paulistas ainda não têm registros confirmados da doença. 

O Brasil registrou 87.618 mortes e 2.442.375 casos confirmados de coronavírus nesta segunda, de acordo com o Ministério da Saúde. 

Os dados demonstram, na avaliação do presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, que a abertura das escolas representa “um risco à vida de professores, alunos e das famílias que podem ter em casa pessoas de grupos de risco. Não podemos concordar com esse retorno sem que haja a comprovação de segurança sanitária. Seguimos defendendo a vida acima de tudo”, afirma.

Neste sentido, por temer o contágio pelo coronavírus dentro da família, o morador da zona norte da capital paulista, Bruno Oliveira, também avalia que a volta às aulas representa uma ameaça potencial de contaminação.

Pai de Sofia, 10 anos, Arthur, 11 anos, e Bernardo, 16 anos, Oliveira vê como prematura a decisão de abertura das escolas.

“Não é nem um pouco seguro o retorno às aulas neste momento levando em conta os aumentos dos casos de contágio e mortes em razão da Covid-19 que estão sendo diariamente noticiados. Fico aflito com a possibilidade de que meus filhos possam se contaminar e, ainda, contaminem familiares que seguem em quarentena, porque fazem parte do grupo de risco da doença”, relata.

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Manifestantes seguirão até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista

Cuidado na pandemia

Com medo, Natália Maia Praxedes resiste em mandar seus filhos Heitor, 12 anos, e Artur, 14 anos, para a escola na zona sul da capital paulista.

“Enquanto não tiver segurança e controle do vírus, meus filhos não irão para a escola. Não apenas em respeito à vida da minha família, mas à vida de todos os profissionais da educação”.

Mãe de três filhos, Simone Soares não titubeia quanto ao isolamento. “O governo não sabe a realidade das famílias, o que enfrentamos em nosso dia a dia. Já perdeu a credibilidade aqui na minha comunidade, não tem como confiar nas decisões que estão sendo tomadas por ele”.

Moradora do Jardim Graziela, em Suzano (SP), Simone afirma que os filhos Jahmilly, 12 anos, Derek, 15 anos, e Kimberly, 17 anos, não retornarão tão cedo à Escola Estadual Professor José Benedito Leite Bartholomei onde estudam.

“Preferimos que meus filhos percam o ano, mas não voltaremos agora. Eu e uma filha sofremos de crise de ansiedade quase diariamente, fazemos tratamento com medicamento para o controle disso. Um dos meus filhos tem problema respiratório. Voltar para a sala de aula significa a piora da saúde mental e física de toda família”, aponta. 

Simone também relata que esta é uma decisão que vem sendo tomada por várias famílias. Representante da Ação Entre Amigos, que reúne voluntários para arrecadação de alimentos e roupas para famílias de baixa renda em Suzano, ela já atendeu em média 40 famílias na região, cujos filhos estudam em escolas públicas.

“É unânime, ninguém quer se expor”, diz. “Estamos fazendo o papel do governo, isso é um absurdo. Mas se não houver solidariedade entre nós o resultado é fome, maior violência e conflitos na comunidade. Seria a guerra entre nós. Mas a luta, na verdade, é contra o governo, as prefeituras que não ouvem a gente. É por isso que vamos às ruas protestar, pra gente ser visto e ouvido”, completa.

Para a presidenta da Apeoesp e deputada estadual por São Paulo, professora Maria Izabel Azevedo Noronha, mais conhecida como Bebel, o relato de pais e mães demonstra cuidado e responsabilidade frente à pandemia.

“Não aceitamos a volta às aulas presenciais de forma irresponsável e precipitada em 2020. Inclusive a greve está em debate na nossa categoria. Vamos cobrar um isolamento social horizontal total, com segurança sanitária e alimentar para toda a população, assim como o pagamento de auxílio emergencial para os professores temporários, que estão passando necessidades diante da insensibilidade total do governo Doria”, conclui.

Foto: Alexandra Koch/PixabayFoto: Alexandra Koch/Pixabay

Coletiva de imprensa

Na semana passada, o governo paulista disse que a retomada das aulas estaria condicionada ao fato de que todas as regiões do estado permanecessem na etapa amarela do Plano São Paulo por pelo menos 28 dias consecutivos.

Durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes realizada nesta sexta-feira (24), o governo informou, porém, que as cidades de Franca, Piracicaba e Ribeirão Preto encontram-se na fase vermelha, a mais restritiva do Plano São Paulo com relação ao coronavírus.

Na coletiva, o secretário estadual de Saúde, Jean Carlo Gorinchteyn, apontou que São Paulo não alcançou o índice de segurança esperado e que “muito possivelmente esta estimativa ou esta expectativa [de volta às aulas] não ocorrerá”. Também admitiu ser necessário garantir a preservação da saúde às crianças, funcionários e às famílias.

Mesmo diante da fala do secretário em resposta à imprensa, ao final da coletiva, João Doria, até às 18h desta sexta-feira (24), não se posicionou oficialmente pela suspensão do retorno presencial às aulas, no dia 8 de setembro.