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Presidente do Equador muda sede do governo para fugir de onda de protestos

Milhares tomam as ruas de Quito e protestos se espalham pelo interior. Comunidades indígenas se dirigem à capital para resistir a pacote neoliberal de Lenín Moreno e Estado de Exceção

Publicado: 08 Outubro, 2019 - 10h54 | Última modificação: 08 Outubro, 2019 - 10h56

Escrito por: Rede Brasil Atual

REPRODUÇÃO/PÁGINA 12
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O presidente do Equador, Lenín Moreno, anunciou a transferência da sede do governo Quito para a cidade de Guayaquil – a 420 quilômetros da capital. O governo Lenín está acuado por protestos contra o fim dos subsídios aos combustíveis e a decretação de Estado de Exceção. As autoridades apostam no agravamento da situação.

Lenín Moreno era aguardado para uma entrevista coletiva no Palácio de Carondelet, sede da presidência, nesta segunda-feira (7), quando o grupo de jornalistas foi orientado a abandonar o prédio. Pouco depois, descreve o El País, foi transmitida pela televisão uma declaração do Presidente rodeado pela cúpula militar a partir de Guayaquil, no sul do país, em que era anunciada a transferência da sede governamental.

“Me mudei para Guayaquil e mudei a sede do governo para esta cidade amada de acordo com os poderes constitucionais que me competem”, disse o presidente em cadeia de rádio e TV.

Moreno – que decretou o Estado de Exceção como medida de força para conseguir pôr em prática um pacote de medidas econômicas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) – afirmou que as mobilizações que o país vem sofrendo desde quinta-feira (3) “não são manifestações de descontentamento”, mas “atentados” à ordem democrática. “Saques, vandalismo e violência mostram que há uma tentativa de quebrar a ordem democrática”, afirmou.

O pacote anunciado em 2 de outubro a pretexto de reaquecer a economia eliminou subsídios ao combustível (causando aumentos de mais de 120%) e reduziu os benefícios salariais a funcionários públicos contratados temporariamente.

“A eliminação dos subsídios aos combustíveis é histórica e retira bilhões de dólares das mãos dos contrabandistas. A decisão garante uma economia sólida”, afirmou o presidente.

Em sua mensagem, Lenín Moreno mencionou respeito pelo direito a manifestações, enquanto agentes militares e policiais montam forte aparato para reprimir a população no centro de Quito. No domingo foi registrada a morte de um manifestante.

Comunidades indígenas realizam protestos com enfrentamento pelo interior do país e milhares se dirigem a Quito para engrossar os protestos. “Neste momento, comunidades tradicionais avançam para a cidade de Quito para poder exigir e rejeitar estas medidas que atropelam os bolsos de todos os equatorianos”, afirmou o presidente da Confederação de Indígenas, Jaime Vargas, segundo o El País.

Na chegada dos primeiros grupos de comunidades indígenas, a polícia utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os ativistas que se aproximavam da sede do governo. Vídeos postados em redes sociais mostram as ações das forças policiais e, em alguns casos, as tentativas dos manifestantes de enfrentar a repressão.

Nos últimos dias, protestos gigantesco têm ocupado estradas, lojas e fábricas. Há imagens de confrontos com a polícia distribuídas em redes sociais. Em Quito, o presidente da Câmara decretou estado de emergência. Em Guayaquil foram bloqueadas pontes e acessos rodoviários.

Em seu pronunciamento, Moreno reafirmou que não irá recuar diante dos protestos e reafirmou a eliminação do subsídio aos combustíveis. “É essencial para que a nossa economia seja saudável”, justificou.

O chefe do Executivo equatoriano foi eleito em 2017, com apoio do ex-presidente Rafael Correa, do qual era vice, com a promessa de dar continuidade à Revolução Cidadã – como era chamado o processo de transformações de cunho progressista. Logo depois da eleição, porém, adotou um discurso de ruptura e de adesão a políticas neoliberais. Com apoio da mídia comercial local, setores do Judiciário passaram a perseguir ex-integrantes do governo anterior, inclusive o ex-presidente Correa, que vive uma espécie de exílio na Bélgica.

Lenín Moreno atribui a Correa articulações para desestabilizar seu governo.


Com informações da Telesur, Publico e El País