• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
  • Rádio Brasil Atual
MENU

Por falta de patrocínio, atleta paralímpico vira entregador de aplicativo

Morador de Paulínia, cidade que hospeda a Replan, Caíque Palma nunca obteve incentivo de empresas ou órgãos públicos e, para sobreviver, chega a percorrer mais de 12 km fazendo entregas por aplicativo

Publicado: 14 Setembro, 2021 - 01h03 | Última modificação: 14 Setembro, 2021 - 01h09

Escrito por: Andreza de Oliveira - Sindipetro

Foto: Arquivo Pessoal
notice

Há quase 20 anos, a família de Caíque Palma decidiu migrar de Barão Geraldo, em Campinas, direto para Paulínia, em busca de melhores condições de vida, principalmente para o filho, portador de mielomeningocele – uma má formação na coluna. Foi na cidade onde está localizado o maior ativo da Petrobrás, a Replan, onde o jovem deu início a vida de atleta paralímpico. 

Entusiasmado com o esporte desde muito cedo,  aos 13 anos Palma decidiu procurar alguma modalidade paralímpica na cidade para praticar. Antes, ele já havia passado por diversas outras atividades, como basquete e natação.

No atletismo paralímpico, a primeira modalidade que praticou foi o arremesso de peso. Mas Palma desistiu da atividade ao ver outros atletas correndo. “Sempre gostei muito de velocidade, nunca gostei de ficar parado, então decidi que era aquilo que eu queria, foi paixão à primeira vista”, lembra o rapaz, afirmando que, na época, precisou emprestar a cadeira de corrida da equipe de Sorocaba, para conseguir participar dos treinos.

Muitas medalhas mas pouco auxílio

Logo no primeiro ano competindo, Palma já se consagrou campeão brasileiro juvenil em sua categoria. Após a primeira conquista, a conta de medalhas do atleta aumentou. Hoje, ele coleciona 115 títulos de torneios para atletas paralímpicos. 

Morador de Paulínia, cidade com um dos maiores Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, Caíque Palma conta que, apesar de alguns auxílios, nunca foi patrocinado por órgão público ou empresa do município, o que dificultou sua dedicação exclusiva ao esporte. 

A cadeira do atletismo possui três pneus que precisavam ser trocados a cada três meses e que custavam R$ 500 cada, e na maior parte das vezes esse dinheiro era do meu bolso. Encerrei minha carreira como o 4º melhor do país e quando cheguei na cidade era um tapinha nas costas, parabéns e tchau.

CAÍQUE PALMA, ATLETA PARALÍMPICO

Sem apoio local e com as dificuldades impostas pela pandemia, Palma precisou buscar outra forma de conseguir renda, principalmente para ajudar sua mãe que havia perdido o emprego. “Um amigo esqueceu a bolsa de entrega dele na minha casa e como gosto muito de andar, decidi me cadastrar no aplicativo como entregador com bicicleta e deu certo”, lembra.

Na segunda semana trabalhando como entregador,  Palma precisou percorrer 4 km para uma entrega, o que fez os demais entregadores da região se solidarizarem com a história do rapaz e o ajudarem, por meio de vaquinha eletrônica, com a compra de um kit motorizado de R$ 14 mil.

A quantia necessária para a compra do equipamento foi arrecadada em duas semanas. Agora, Palma consegue fazer as entregas com mais conforto e agilidade. “Em um dia bom, consigo rodar entre 12 km e 15 km”, relata.

Perspectivas para o esporte

Com pouco menos de três anos para as Paralimpíadas de 2024, Caíque Palma demonstra entusiasmo e afirma que pretende participar da competição. “Preciso cumprir algumas metas que, infelizmente, precisaram ser adiadas, mas ainda quero participar de uma paralimpiada”.

Estudante de Educação Física, o atleta também pretende se dedicar à carreira de treinador de outros atletas paralímpicos. “Pretendo viver novamente do esporte”, finaliza.