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Perfis de extrema-direita incitam ataques e ameaças à jornalista Maria Teresa Cruz

Sindicato e FENAJ se solidarizam à profissional, que recebeu diversos insultos, ataques misóginos e ameaças de ter a casa incendiada

Publicado: 24 Novembro, 2020 - 16h53 | Última modificação: 24 Novembro, 2020 - 16h55

Escrito por: Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Reprodução
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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, a Federação Nacional dos Jornalistas e sua Comissão de Mulheres vêm manifestar solidariedade à jornalista freelancer Maria Teresa Cruz. Por conta da manifestação de uma opinião no twitter, a profissional foi vítima de diversos ataques nas redes sociais, entre o sábado e domingo. As ameaças foram feitas depois que perfis de extrema-direita expuseram a profissional no twitter, de forma coordenada. Alguns perfis chegaram a ameaçar incendiar a casa da jornalista, e também houve incitação de violência sexual.

Na noite de 20 de novembro, no twitter, Maria Teresa manifestou uma opinião de tom pessoal sobre os atos contra a rede de supermercados Carrefour, após o assassinato de um homem negro em uma unidade da rede, na véspera. Horas depois, perfis da extrema-direita iniciaram a exposição da jornalista.

Uma das primeiras exposições, na madrugada do dia 21, foi feita pelo empresário Otávio Fakhoury, que é investigado por financiar atos antidemocrátidos e por propagação de notícias falsas. Nas horas seguintes, também incitaram seus seguidores a atacarem a jornalista os perfis de Claudia Wild (citada em inquérito por propagação de mentiras), Leandro Ruschel (outro investigado por fake news), e Rodrigo Constantino, que recentemente perdeu contratos após relativizar estupro.

A exposição provocou vários insultos machistas e misóginos à jornalista, que incluíram incitação de violência sexual. Um seguidor de um dos perfis da extrema-direita disse "no tempo dos militares isso era cortado pela raiz", lembrando a Ditadura Militar, que censurou jornalistas, e também torturou e matou profissionais da imprensa. Em suas contas no twitter e instagram, Maria Teresa recebeu outras sérias ameaças, como de ter a casa invadida e incendiada. Um perfil disse o seguinte: "Não reclamem quando começarem a incendiar e quebrar estúdios e redações, e gente inocente morrer." Por conta das ofensas e ameaças, a jornalista trancou os perfis públicos no twitter e no instagram.

A FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo se solidarizam a Maria Teresa Cruz, mais uma vítima de ataques coordenados por perfis de extrema-direita, que incentivam o comportamento violento de anônimos nas redes sociais, principalmente contra mulheres. A Comissão de Combate à Violência contra Jornalistas do SJSP entrou em contato com a profissional, e colocou à disposição da jornalista o jurídico do sindicato. As entidades reiteram a defesa intransigente das liberdades democráticas, e convocam a sociedade a repudiar episódios como esse, estimulados por figuras com tentações autoritárias.