• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
  • Rádio Brasil Atual
MENU

Os desafios da classe trabalhadora em 2021

Primeira quinzena do ano demonstra que as lutas vão além da garantia de vacinação para todos e da defesa dos empregos e renda para nosso povo

Publicado: 18 Janeiro, 2021 - 18h26 | Última modificação: 18 Janeiro, 2021 - 19h55

Escrito por: Douglas Izzo - presidente da CUT São Paulo

Divulgação
notice

Encerramos a primeira quinzena de 2021, um ano que começa apontado para inúmeros desafios para toda classe trabalhadora e para população brasileira que vão além da nossa luta em garantir a vacinação contra a Covid-19 para todos e todas.

Se por um lado temos cerca de 50 países, entre eles China, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Israel e Argentina, que iniciaram a vacinação do seu povo no ano passado, aqui no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo João Doria seguem com uma disputa política insana que não poupou sequer a vacina contra o novo coronavírus.

Paralelo a isso, assistimos neste domingo (17) à espetacularização da reunião da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para anunciar a autorização do uso emergencial das vacinas Coronavac – desenvolvida em parceria do laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan – e do Oxford – desenvolvida pela FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz) em parceria com a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca.

É impensável que em meio a maior crise sanitária deste século, enfrentada em todo mundo, contabilizando quase 210 mil mortes e 8,5 milhões de pessoas infectados aqui no Brasil, o governo Bolsonaro insista em fazer disputa política com a vacina, única forma de conter a pandemia e salvar vidas! Mais angustiantes ainda foi assistir ao caos instalado em Manaus, capital do Amazonas, devido à falta de oxigênio, causando a morte de pacientes internados com Covid-19. 

Além disso, nós seguimos na luta para garantir que toda população brasileira tenha acesso à vacina. Compreendemos que a imunização deve ser iniciada com os grupos prioritários (idosos, indígenas, quilombolas etc.), além dos profissionais da saúde. Mas defendemos que profissionais de educação, trabalhadores e trabalhadoras do transporte, entre outros serviços essenciais, também sejam priorizados nas primeiras etapas do plano de vacinação, que deve atender a todas as faixas etárias.

Mas a vacina é apenas o começo da nossa luta em 2021. A divulgação do comunicado da Ford, na semana passada, informando o encerramento das atividades no Brasil, que afeta as fábricas de Taubaté (SP), Camaçari (BA) e da Troller em Horizonte (CE), surpreendeu trabalhadores, governos e o movimento sindical, aprofundando o processo de desindustrialização que o país enfrenta.

Essa decisão da Ford torna incerto o futuro de mais de 6 mil trabalhadores das três fábricas que, com nosso apoio, seguem na luta em defesa de seus empregos. Curioso é que a montadora anunciou o fechamento de suas fábricas aqui Brasil, onde se beneficiou de incentivos fiscais e recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), mas seguirá com investimentos e produção de seus veículos na Argentina e no Uruguai.

De fato, não dá para negar que a empresa se aproveita do momento de crise para tomar essa decisão de deixar o Brasil, que de certa forma segue como um mercado promissor para venda de automóveis, mas não se pode tirar a reponsabilidade do governo federal pela incapacidade de apresentar à nação um programa de manutenção da indústria nacional e, consequentemente, de preservação dos empregos.

Pelo contrário! Diante do desemprego recorde, que já atinge mais de 14 milhões de brasileiros e brasileiras, o governo Bolsonaro contribui para aprofundar a crise do emprego com o anúncio, também nesta semana, de um plano de reestruturação no Banco do Brasil que prevê o fechamento de 361 unidades do banco, sendo 112 agências, 7 escritórios e 242 postos de atendimento, resultando na perca de 5 mil empregos diretos ainda no primeiro semestre deste ano.

Essa é mais uma medida que integra a sanha privatista do ministro da economia Paulo Guedes e sua equipe que não medem esforço para aprofundar cada vez mais os ataques ao patrimônio e aos serviços públicos. Para além disso, nossa população, principalmente os mais pobres, é que mais sofre com a escalada dos preços de itens da cesta básica como arroz, feijão e óleo de soja e também dos combustíveis e do gás de cozinha, que acabou de ter novo reajuste.

A inflação de 2020, divulgada na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), fechou com alta de 4,52%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – registrando a maior alta desde 2016. E com Bolsonaro no governo, tudo pode piorar! Gostaríamos de ser otimistas, mas é difícil, pois em meio a este cenário, sentimos que a situação pode se agravar ainda mais com o fim do auxílio emergencial, que para muitas famílias era a única fonte de renda para sobreviver.

Deste modo, nossa luta continua pela prorrogação do benefício enquanto perdurar a pandemia. Aliás, a vacinação para todos e todas; a defesa do SUS (Sistema Único de Saúde), a testagem em massa, a luta contra as demissões, por geração de empregos, recuperação de direitos trabalhistas, contra a fome e a miséria, em defesa das estatais, dos serviços e dos servidores públicos, contra as privatizações a reforma administrativa e o teto de gastos estão entre as prioridades elencadas na resolução da direção nacional da CUT para este ano.

Não será fácil, mas não podemos deixar de lutar! Em recente nota, dirigentes da CUT Brasil apontam que o plano de Bolsonaro é a destruição do Brasil como nação. Por isso, temos que organizar a classe trabalhadora para enfrentar estes e outros grandes desafios que nos esperam em 2021.  Nós, da CUT São Paulo, entendemos que para isso é fundamental avançarmos na construção da unidade com as demais centrais sindicais; com as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo; parlamentares de oposição a este desgoverno; prefeitos, governadores e lideranças de partidos do campo democrático e popular.

A adesão da sociedade ao panelaço chamado pela Frente Brasil Popular na última sexta-feira (15), em protesto ao caos da saúde em Manaus, em defesa da vacinação e pelo Fora Bolsonaro, demonstra que não estamos sozinhos na luta pelo impeachment. Acreditamos que, juntos, teremos mais condições de enfrentar este governo que não consegue adotar medidas efetivas capazes de apontar um norte político e econômico para superar as crises com ações e políticas públicas capazes de assegurar vacina para todos e todas, além de emprego e renda para nossa população.