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Ocupação feminina no mercado de trabalho cresce, mas salário desigual persiste

Remuneração média feminina é de R$3965 enquanto masculina é de R$5039

Publicado: 07 Maio, 2026 - 15h40 | Última modificação: 07 Maio, 2026 - 15h45

Escrito por: Laiza Lopes - CUT São Paulo

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A participação feminina no mercado de trabalho cresceu 11%, mas a desigualdade salarial continua presente, aponta o 5º Relatório de Transparência Salarial divulgado pelo Ministério das Mulheres em abril de 2026. São 8 milhões de mulheres empregadas, com destaque para as mulheres negras, cuja presença aumentou 29%, totalizando 4,2 milhões.

O mercado formal como um todo também cresceu: o emprego aumentou 7% (de 18 milhões para 19,3 milhões) e o número de empresas subiu 5,5% (atingindo 53,5 mil estabelecimentos).

Os dados têm como base a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do eSocial e de informações prestadas por 53,5 mil empresas com 100 ou mais empregados.

Apesar desse avanço, a diferença salarial média entre homens e mulheres permanece em 21,3%, sem mudança em relação ao ano anterior. Na remuneração geral em empresas privadas, elas ganham R$ 3.965,94 por mês, enquanto os homens recebem R$ 5.039,68. A desigualdade é maior em cargos de nível superior e em empresas maiores. Há também uma diferença de 14,3% no salário de admissão.

A pesquisa ainda aponta que as mulheres recebem 35,2% da massa salarial, apesar de representarem 41,4% dos empregos.

“Para que houvesse equiparação, seria necessário um acréscimo de cerca de 10,6% na massa salarial das mulheres, o que corresponde a aproximadamente R$ 95 bilhões — elevando esse montante de cerca de R$ 310 bilhões para algo próximo a R$ 405 bilhões”, afirma Marilane Teixeira, economista, doutora e pós-doutora pela UNICAMP.

A pesquisadora sobre economia e gênero reforça que a desigualdade vai além dos diferenciais salariais médios. “Esse resultado revela, refletindo também a concentração feminina em ocupações de menor remuneração e as barreiras de acesso e progressão em cargos mais valorizados, reforçando a necessidade de medidas efetivas de transparência e de planos de mitigação”, pontua.

Já a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Marcia Viana, destaca o papel dos sindicatos neste cenário. “Os sindicatos desempenham um papel fundamental na mitigação da desigualdade salarial, e na fiscalização dessas práticas discriminatórias. Por isso, devemos pressionar as empresas no cumprimento da legislação, além de inserir a igualdade salarial nas negociações coletivas para fortalecer a política nos locais de trabalho”, acrescenta.

Principais resultados do relatório:

  • Jornadas flexíveis passaram de 40,6% para 53,9%
  • Auxílio-creche subiu de 22,9% para 38,4%
  • Licenças estendidas chegaram a quase 30%
  • Planos de cargos e salários estão em 66,8% das empresas

Em relação à diversidade:

  • 48,7% das empresas têm políticas de promoção de mulheres
  • 34,1% adotam políticas de contratação
  • 27,1% incentivam a contratação de mulheres negras
  • Cresceram ações para mulheres indígenas e vítimas de violência

Em vigor desde 2023, a Lei nº 14.611/2023 fortalece a luta histórica das mulheres trabalhadoras ao garantir mais transparência e combate à discriminação nos salários e nas relações de trabalho. Com a legislação, empresas com mais de 100 empregados têm obrigação de adotar medidas concretas para assegurar salários iguais entre homens e mulheres, criar canais de denúncia, promover diversidade e ampliar a participação feminina no mercado de trabalho.