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No Dia da Luta Operária, premiação irá homenagear tecelã e ferroviário

Prêmio José Martinez será concedido a Eunice dos Santos e Raphael Martinelli pelo histórico de vida em defesa do movimento operário brasileiro

Publicado: 28 Junho, 2019 - 15h43 | Última modificação: 28 Junho, 2019 - 15h57

Escrito por: Redação CUT São Paulo

Dino Santos/CUT-SP
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Ato realizado em 2018

No próximo dia 9 de julho, Dia da Luta Operária, a tecelã Eunice Longo e o ferroviário Raphael Martinelli serão homenageados pelo vereador Antonio Donato (PT) em parceria com centrais sindicais (entre elas CUT, Força Sindical, CSP-Conlutas, UGT, Intersindical Central da Classe Trabalhadora), organizações de estudo e apoio aos movimentos sociais (Cedem-Unesp, Centro de Memória Sindical, IIEP e Oboré) pesquisadores, escritores e consultores do tema (Gilberto Maringoni, José Luiz Del Roio e João Guilherme Vargas Neto).

Eles receberão o Prêmio José Martinez pelo histórico de vida em defesa do movimento operário brasileiro. O nome do prêmio se refere ao sapateiro anarco-sindicalista José Martinez. Há 102 anos, no dia 9 de julho de 1917, ele foi baleado por soldados da antiga Força Pública, que reprimiam um piquete durante a greve que tomou conta de várias empresas em São Paulo.

Martinez faleceu dias após ser baleado. Sua morte incendiou a paralisação, cuja pauta era mais salários e melhores condições de trabalho. O movimento se espalhou para outros estados e é considerada a primeira greve geral do Brasil.

O Dia da Luta Operária foi instituído por lei municipal (nº 16.634/17) de autoria do vereador Antonio Donato, em memória da paralisação de 1917.

O ato político pela passagem da data e a homenagem a Longo e Martinelli será às 9 horas do dia 9 de julho de 2019, no antigo Moinho Matarazzo (Rua do Bucolismo, 81, Brás). Foi próximo a este local que José Martinez foi baleado em 1917.

As esculturas do prêmio foram concebidas pelo artista plástico Enio Squeff.

Conheça os homenageados

Eunice Longo dos Santos nasceu em Taquaritinga (SP), em 20 de maio de 1928, em uma família de camponeses. Com seus pais, migrou para São Paulo em 1945 e logo se tornou operária têxtil, iniciando sua atuação na luta por melhores condições de trabalho. Ao organizar uma greve, em 1949, acaba conhecendo o Sindicato dos Têxteis no Estado de São Paulo. Nos anos 1950, atuou no movimento pela paz, na campanha “O petróleo é nosso” e foi demitida em razão da “Greve dos 300 mil”, de 1953, por ser uma das articuladoras do movimento. Foi a primeira mulher eleita para a diretoria do Sindicato dos Têxteis, categoria em que sempre predominou a força de trabalho feminina. Em 1964 estava na diretoria da entidade cassada pelo golpe militar. Sempre estimulou a sindicalização feminina e a incorporação, dentro das reivindicações trabalhistas, de direitos relacionados à mulher. Durante a ditadura tomou parte na resistência democrática nas campanhas pela anistia e pelas “Diretas Já”, além de continuar como membro da associação dos aposentados têxteis. Uma parte de sua história foi narrada no livro Mulheres Operárias, publicado em 1985 pelo Conselho Estadual da Condição Feminina e pelo Centro de Memória Sindical.

Raphael Martinelli nasceu em São Paulo, em 16 de outubro de 1924. Começou a trabalhar aos 12 anos e passou por várias fábricas até chegar, em 1941, à companhia São Paulo Railway, iniciando a carreira de ferroviário e a atuação no sindicato da categoria. Foi um dos fundadores do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT – importante entidade sindical no início dos anos 1960), dissolvido pelo golpe militar de 1964. Cassado, passou para a clandestinidade e ajudou a fundar a Ação Libertadora Nacional (ALN). Foi preso e processado pela ditadura e, ao deixar a cadeia, início dos anos 1970, volta a estudar, forma-se em Direito e passa a atuar como advogado do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo. Cria e vira dirigente do Fórum dos Ex- Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo. Em 2014 o jornalista e escritor Roberto Gicello Bastos lançou o livro “Estações de Ferro – Raphael Martinelli”, que conta a vida e obra do líder ferroviário.

Serviço
Dia da Luta Operária – 9 de julho
Ato político e homenagem aos sindicalistas Eunice Longo e Raphael Martinelli
Local: Rua do Bucolismo, 81, Brás.
Hora: 9 horas