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No Brasil, morre um trabalhador a cada quatro horas e meia

Entre os profissionais mais vitimados estão os que trabalham em linhas de produção

Publicado: 09 Março, 2018 - 11h36

Escrito por: Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba

Arte: Cássio Freire/SMetal
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Além dos dois trabalhadores, Jailton e Emerson, que morreram em um período de 9 dias nas linhas de produção de Sorocaba, foi divulgada uma pesquisa nesta segunda-feira, dia 5, que mostra o quanto os acidentes de trabalho e de adoecimentos em função do trabalho são extremamente preocupantes.

Ao menos um trabalhador brasileiro morreu a cada quatro horas e meia vítima de acidente de trabalho, em 2017. Esse dado é do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Entre os profissionais mais vitimados estão os que trabalham em linhas de produção; os técnicos de enfermagem; faxineiros; serventes de obras e motoristas de caminhões. Quem trabalha em contato com máquinas e equipamentos tem mais chances de se acidentar e de sofrer ferimentos mais graves.

Com base em informações disponibilizadas por vários órgãos públicos, o observatório estima que, entre o começo do ano passado e as 14h desta segunda, 5, foram registradas 675.025 comunicações por acidentes de trabalho (CATs) e  2.351 mortes.

“Porém, os números oficiais estão abaixo dos reais em razão da recusa de muitas empresas em realizar a abertura de CATs após acidentes”, lembra a advogada do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), Erika Mendes.

Ainda de acordo com o observatório, entre 2012 e 2017, a Previdência Social gastou mais de R$ 26,2 bilhões com o pagamento de auxílios-doença, aposentadorias por invalidez, auxílios-acidente e pensões por morte de trabalhadores. 

Prevenção

Para o secretário-geral do SMetal, Silvio Ferreira, mais do que dados estatísticos é preciso olhar o ser humano que está à frente dessas máquinas, trabalhando em jornadas exaustivas para levar o alimento para a casa.

“O que cobramos das indústrias é que disponibilizem condições dignas de trabalho considerando a saúde do trabalhador. O Basta de Acidentes! é o nosso mote, nosso objetivo”, ressalta.

São inúmeras as negociações com as empresas para que sejam criadas jornadas justas, como as 40h semanais da empresa NAL, que se instalou recentemente na cidade. Assim como respeitem os direitos dos trabalhadores, qualquer irregularidade deve ser denunciada.

“Segurança no trabalho é reivindicação digna da classe trabalhadora para que as empresas cumpram e também uma questão de saúde pública”, afirma Sílvio Ferreira. 

Denuncie

Além do canal de denúncia no portal do SMetal (www.smetal.org.br/denuncie) para receber os casos de irregularidades e abusos, de forma sigilosa, a diretoria do Sindicato está estruturada em CSEs para que o sindicato esteja dentro das fábricas e possam ouvir as reivindicações dos trabalhadores.

Outras categorias devem procurar o canal de denúncias em seu sindicato.

*Com acréscimo da CUT-SP

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