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No 14º dia de greve, petroleiros alertam que quem não para também pode ser demitido

Na Recap, em Mauá, Unificado dialogou com trabalhadores no início da amanhã e alertou que não há garantia de emprego para quem fura greve

Publicado: 14 Fevereiro, 2020 - 16h52 | Última modificação: 14 Fevereiro, 2020 - 16h54

Escrito por: Luiz Carvalho - Sindipetro-SP

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Dirigentes do Unificado realizaram mobilização na portaria da Recap nesta sexta

Um dia após o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, indicar em entrevista a venda de oito refinarias, os dirigentes da regional de Mauá do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo realizaram pela manhã uma manifestação na Refinaria Capuava (Recap).

Os trabalhadores terceirizados, a maioria dos que ainda não aderiram à greve que chega nesta sexta-feira (14) ao 14º dia, eram recepcionados no estacionamento da portaria três por um grupo de dirigentes que falavam sobre a importância de aderir ao movimento grevista.

Sob um sol intenso que deu as caras nas primeiras horas da manhã, os sindicalistas convocavam os trabalhadores que passavam em seus carros a lutarem pela continuidade da empresa e alertavam que a distância em relação à mobilização não oferece qualquer garantia de emprego, conforme apontou o diretor do Unificado, Auzelio Alves.

“Se privatizarem o sistema Petrobrás, essa planta não existirá, não se iludam. Haverá hibernação, porque é isso que tem acontecido com os estaleiros e neste momento a única saída que temos é fazer a defesa da empresa que ajudamos a construir”, apontou.

Dia D
A paralisação que começou no dia 1º tem como objetivo central a manutenção do emprego de mil trabalhadores da Fabrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen) que já receberam em suas casas telegramas da Petrobrás para que realizassem hoje o processo demissional.

O técnico de operação Lair Nunes, há 35 anos funcionário da Recap, ressaltou que a luta em defesa da Fafen travada pelos verdadeiros nacionalistas do país é um símbolo de resistência contra a entrega do patrimônio brasileiro.

“Nossos direitos estão sendo cassados, estão entregando a empresa e como trabalhador, cidadão e pai de família não posso aceitar isso. O último ministro Civil deste governo caiu ontem, o golpe está dado, os militares estão aí e só falta fechar o Congresso. Eles vieram para acabar com a educação, porque um povo sem ensino não questiona, fecharam questão com os empresários para retirar direitos trabalhistas com o objetivo de aumentar a margem de lucro. E não podemos ser mais uma vez aqueles que pagam a conta”, disse.

Diretor de base do Unificado Caue de Oliveira analisa que a postura truculenta da direção da Petrobrás, negando-se a dialogar, é parte de uma estratégia que não poupa esforços para liquidar a maior estatal do país.

“A planta de Araucária está fechando, há um processo de desinvestimento que já vem há algum tempo e não estamos vendo perspectivas de melhora com essa política. A Petrobrás está perdendo todas as suas subsidiárias, saindo de vários ramos, vendendo patentes e estamos há 14 dias parando e conversando com os trabalhadores para que estejam atentos a essa realidade”, afirmou.

Entre os trabalhadores, assim como para a população, ele acredita que a dificuldade é furar a bolha da contra-informação vendida pela empresa e apoiada pela grande mídia.

“Há um grupo de companheiros aqui dentro que está disposto a arriscar tudo por solidariedade e outro que acha que é bom o que a companhia está fazendo, acha que está certo, mesmo sem entender os motivos, apenas optando por não entrar na greve ou manter uma continuidade operacional. A dificuldade é fazer chegar à população, inclusive a quem trabalha aqui, os pontos pelos quais estamos lutando. Porque aí estaremos todos do mesmo lado”, defende.