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Neoliberalismo será derrotado com unidade da América Latina, apontam centrais

Evento realizado na cidade de São Paulo reuniu sindicalistas do Brasil, da Argentina e do Chile

Publicado: 18 Novembro, 2019 - 18h18 | Última modificação: 18 Novembro, 2019 - 21h14

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas
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Nesta segunda-feira (18), em encontro no Sindicato dos Químicos de São Paulo, no bairro da Liberdade, centrais sindicais brasileiras lançaram uma Jornada de Lutas e apresentaram um conjunto de propostas (clique aqui) em defesa dos direitos trabalhistas.

O debate contou com a participação de dirigentes sindicais do Brasil, do Chile e da Argentina que, na ocasião, destacaram que a unidade entre países latino-americanos é a principal alternativa para enfrentar o neoliberalismo e governos de extrema direita.

Durante o encontro, um minuto de silêncio foi feito em memória das vítimas mortas neste ano em diferentes países da América Latina.

“Temos hoje 23 companheiros mortos devido à violência do governo chileno, muitas pessoas presas e inúmeras denúncias de violações contra jovens e crianças. As forças de repressão têm disparado na cara e no corpo dos manifestantes”, falou a vice-presidenta de Relações Internacionais da CUT Chile, Alejandra Tamara Muñoz.

Há um mês, destacou a dirigente, se iniciou uma revolução popular em seu país. “O Chile despertou”, disse, ao falar sobre os protestos contra o governo do presidente chileno Sebastián Piñera, que enfrenta uma crise desde que anunciou o aumento dos preços da passagem do Metrô.

Paulo Pinto/Fotos PúblicasPaulo Pinto/Fotos Públicas
Dirigente sindical chilena, Tamara (ao microfone) fala aos sindicatos e movimentos populares brasileiros

Tamara, como é conhecida no movimento sindical chileno, destacou que isso é o resultado de um modelo neoliberal implementado pela ditadura (1973-1990) de Augusto Pinochet. “São 30 anos de um modelo imposto, de privatização, de mercantilização da vida, com 80% dos trabalhadores atuando de forma precarizada, com um sistema de saúde miserável - com filas imensas e sem insumos para o atendimento, além de um sistema previdenciário que é responsável por um alto índice de suicídios de pessoas aposentadas que vivem na miséria”, relatou.

Sobre este tema, o presidente da CUT Nacional, Sérgio Nobre, exemplificou como o Brasil pode se tornar o Chile, país que tem sido uma espécie de laboratório, desde que aderiu às políticas neoliberais da Escola de Chicago, e que agora paga a fatura com um número de pobreza alarmante.

“Eles [governo Bolsonaro e aliados] estão anunciando que irão vender todas as empresas estatais, irão desestruturar o serviço público, já acabaram com BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], que é a principal fonte de investimento em nosso país para crescer. Neste sentido, nós não vamos demorar 30 anos para viver o caos, como foi no Chile, nós rapidamente vamos viver o caos aqui no Brasil. É só andar nas grandes cidades deste país para ver crianças e famílias inteiras dormindo nas calçadas. Ano que vem sentiremos de forma grave o que está acontecendo”, disse.

Neste sentido, o secretário Internacional da Central de Trabalhadores da Argentina, Roberto Raúl Baradel, complementou que não é possível analisar os processos políticos nacionais sem considerar um contexto político internacional.

“Aos diferentes personagens o neoliberalismo aplica os mesmos métodos. Como resistir a este tipo de política? Primeiro, isso se dará com a construção da unidade entre os países. Argentina, por exemplo, não pode pensar em sua política sem considerar o Brasil ou o Chile. Somos parte da mesma luta, da mesma disputa e não podemos derrotar sozinhos o neoliberalismo. Os últimos quatro anos na Argentina com governo neoliberal [de Mauricio Macri] foram muito difíceis. Trabalhadores, professores, povos originários, representantes da justiça do trabalho foram tidos como inimigos. Neste cenário, o movimento sindical teve um papel importante ao ir para as ruas”, afirmou, ao comemorar agora a vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner nas eleições presidenciais em outubro. 

Ao lado de Baradel, Tamara igualmente defendeu que o neoliberalismo só será derrotado com a unidade da América Latina. “A saída é a unidade entre as centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos de diferentes representações. A liberdade de Lula foi muito importante para nós chilenos, sua liberdade é um fato político relevante para a nossa América”, exemplificou.

Ao final de sua fala, Tamara  trouxe à memória um trecho do último discurso feito por Salvador Allende, presidente que sofreu um golpe em 1973: “Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor”, finalizou, ao desejar que os ensinamentos de Allende e a força da juventude inspirem toda a América Latina.