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Na Conferência do Clima, Brasil pode passar nova vergonha internacional

A uma semana da COP-25, especialistas e militantes em defesa do clima realizaram atos pelo mundo

Publicado: 29 Novembro, 2019 - 23h00 | Última modificação: 02 Dezembro, 2019 - 11h28

Escrito por: Rafael Silva - CUT-SP

Rafael Silva - CUT-SP
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Intervenção no Largo da Batata cobra ações do governo brasileiro

País que já chegou a ser citado como exemplo nas políticas de desenvolvimento sustentável, o Brasil poderá ser alvo de cobranças no encontro anual da ONU para discutir o meio ambiente, a COP-25. Neste ano, o evento será sediado em Madri, na Espanha, já na próxima semana.

Nesta sexta (29), no entanto, por diversas cidades pelo mundo, movimentos saíram às ruas para denunciar a falta de compromisso de governos e empresas com as metas de redução do impacto ambiental. Em São Paulo, os participantes da segunda edição da Greve Global pelo Clima elegeram Bolsonaro como inimigo do meio ambiente.

João Cayres, secretário-geral da CUT-SP, durante o ato

O ato, realizado no Largo da Batata, em Pinheiros, foi organizado pelos movimentos que compõem a Coalizão pelo Clima. A atividade contou com o apoio e a participação da CUT-SP, que entende que os efeitos catastróficos das mudanças climáticas atingem em cheio a classe trabalhadora, já que a elevação nas temperaturas globais afetará mais as pessoas desfavorecidas e vulneráveis.

Carlos Rittl, biólogo e secretário-executivo do Observatório do Clima, alertou sobre o que pode ser a participação do governo brasileiro na COP-25. "Essa pressão (atos) deveria ser para cobrar mais ações, mas ela é de denúncia sobre os desmandos da agenda socioambiental e dos povos tradicionais, que serão desmentidas. O ministro (Ricardo Salles) está a caminho de Madri para dizer que o país não precisa ser cobrado de nada porque já fez feito muito e ainda pedirá dinheiro. Ele mesmo já admitiu que no próximo ano o desmatamento será maior e que pouco poderá fazer para conter isso".

O atual governo reduziu orçamentos e o poder de fiscalização de órgãos ambientais. Em agosto, o aumento no número de queimadas das florestas criou problemas diplomáticos, como boicotes a produtos nacionais, e a falta de ação e respostas sobre o vazamento de óleo nas praias brasileiras, que tem destruído o bioma local, tem causado impacto no turismo e afetado a renda dos povos tradicionais que sobrevivem da pesca. Já no último dia 18, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do próprio governo, divulgou dados que apontam aumento de 30% no desmatamento da Amazônia entre agosto de 2018 e julho de 2019, período dos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Isso representa uma área de 9.762 km².

Segundo o secretário-geral da CUT-SP, João Cayres, é preciso encontrar formas para dialogar com a população que está anestesiada diante de tudo o que ocorre no país."Vivemos um momento não só no Brasil, como no mundo, de loucura. Hoje mesmo tivemos a notícia de uma árvore, da espécie imbuia, de 535 anos, e símbolo de Santa Catarina, que foi cortada para virar cerca. Ou seja, a ignorância está sendo tão grande, mas talvez parte da população já tinha esse sentimento, mas agora tem voz, que é o do presidente da República".

O ato em São Paulo contou com intervenções artísticas e políticas, tendo a presença de representantes de comunidades indígenas, como Maria Flor Guerreira, da etnia Pataxó. "Aqui em São Paulo tudo o que a gente come vem no descartável. Lá na minha aldeia chega um monte de lixo e todo dia a gente tá limpando a nossa praia, as tartarugas, os peixes. Tô aqui defendendo o clima, tô aqui defendendo a vida. E não tentem separar uma coisa da outra não porque tá todo mundo no mesmo barco e estamos queimando ele", disse.