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Mulheres sindicalistas da CUT-SP cobram plataforma de gênero nas eleições 2020

Mulheres dos diferentes ramos da CUT-SP construíram propostas de combate à violência doméstica e geração de emprego durante 9º Encontro, que também discutiu a luta em defesa dos serviços e servidores públicos

Publicado: 09 Outubro, 2020 - 17h10 | Última modificação: 09 Outubro, 2020 - 17h25

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

Reprodução
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Eleger candidaturas comprometidas com a luta e a construção de políticas públicas de combate ao atual sistema machista e preconceituoso deve ser uma das prioridades das mulheres nas eleições municipais deste ano, conforme aponta documento construído no 9º Encontro de Mulheres da CUT-SP. De acordo com as participantes, somente o engajamento feminino irá garantir uma plataforma que busque amenizar a desigualdade ampliada neste momento de pandemia e crise econômica.

Entre as propostas apresentadas no encontro, realizado nos dias 25 e 26 de setembro, estão pautar e cobrar das candidatas e candidatos políticas de trabalho e renda que beneficiem mulheres, jovens e pessoas com deficiência, políticas de microcrédito, de qualificação e recolocação de mão de obra para todas as mulheres e a criação de auxílio emergencial destinado aos cuidados com os filhos menores que não podem ficar sozinhos em casa enquanto a mãe sai em busca de emprego.

“As eleições são um importante momento de participação. É preciso apoiar e incentivar as candidaturas feministas, falar sobre a importância de termos mulheres na política e eleger companheiros que tenham compromisso com as bandeiras e lutas das mulheres. Temos que falar às pessoas para se atentarem ao que os candidatos defendem”, disse Márcia Viana, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP.

Assistente social e ex-secretária municipal de Políticas para as Mulheres de São Paulo, Denise Motta Dau disse que somente gestões democráticas construíram políticas e realizaram programas de igualdade. “A partir de gestões democráticas, de partidos progressistas, houve um avanço no que diz respeito ao enfrentamento as desigualdades, e com maior participação das mulheres, com uma série de projetos que garantam mais direitos”.

Por sua vez, a deputada estadual Maria Izabel Noronha, a Professora Bebel (PT), lembrou que governos que contam com apoio das elites não somente destruíram tais políticas, como promoveram desmonte nos direitos da classe trabalhadora. “A reforma trabalhista propôs uma imensa retirada de direitos, onde, principalmente as mulheres são prejudicadas. No estado de São Paulo, e também na cidade de São Paulo, os neoliberais vêm realizando reformas previdenciárias que atingem diretamente as mulheres, precarizando ainda mais a aposentadoria dos servidores públicos”, afirmou Bebel, que também preside a Apeoesp.

Técnica do Dieese na CUT Nacional, Adriana Marcolino falou sobre o aumento do desemprego ocasionado pela Covid-19 e de como isso impactou, principalmente as mulheres, pois a retomada econômica tem sido pensada sem considerar suas especificidades. “As mulheres necessitam debater e exigir politicas específicas como plano emergencial diante da pandemia. Nas pautas de negociação, precisamos ser ouvidas e incluir cláusulas específicas sobre os serviços de cuidados, como, por exemplo, no caso das mulheres negras, que são penalizadas de maneira mais brutal nesse processo de crise”, disse.

Outro ponto do debate foi sobre as discussões em torno dos projetos de destruição dos serviços públicos e ataque aos servidores em todos os níveis, como o PL 529, de João Doria (PSDB) no estado de São Paulo, e a reforma Administrativa tentada pelo governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL).

Para a economista Marilane Teixeira, essas reformas são apresentadas como justificativa de que o serviço público precisa ser modernizado e, com isso, deve passar por reformas. “É um paradoxo colocar em pauta a reforma administrativa num ano em que, deveríamos ampliar a oferta de serviços públicos, diante duma crise sanitária, econômica e política. A reforma administrativa trata de aprofundar o que significou para o Brasil com a aprovação da PEC 95 (PEC dos gastos)”, disse se referindo à reforma Administrativa do governo Bolsonaro. Para Teixeira, que é doutora e pesquisadora do CESIT/IE-Unicamp, essa proposta é “uma espécie de reforma trabalhista dos servidores públicos”.

Sobre a reforma tributária, as participantes concordaram sobre a necessidade de se debater a reforma tributária não só para arrecadação, para aumentar o gasto público, mas porque o Brasil tem um sistema tributário muito desigual, que tributa pouco a renda e patrimônio e taxa muito o consumo, modelo que prejudica a população mais pobre.

Saúde
Além de política, o Encontro de Mulheres da CUT-SP também abordou questões relacionadas à saúde mental e a violência contra as mulheres, que durante a pandemia registraram altas em seus índices.

Maria Palmira da Silva, doutora em psicologia social e professora universitária, e Ivete Boulos, coordenadora do Navis (Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual do Hospital das Clínicas), falaram sobre o grau de desigualdade entre homens e mulheres e de como isso impacta diretamente nas taxas de feminicídio, violência sexual e saúde mental, por exemplo.

Por fim, Naira Rodrigues Gaspar, trabalhadora da saúde mental no SUS e ativista de direitos das pessoas com deficiência, abordou as dificuldades vividas por pessoas com deficiência. “Vivemos o estigma do conceito do ‘capacitismo’, que é o preconceito para dizer que as pessoas têm menor valor de mercado e, portanto, elas são afastadas da sociedade, porque são consideradas como menos capazes. Ou seja, as pessoas com deficiência sofrem um apartheid desde sempre”, disse.

Os temas desse bloco também foram contemplados nas propostas encaminhadas ao final do encontro. Entre eles, destacam-se a luta para que as empresas tenham um canal de acolhimento específico no atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica, a luta pela inclusão da educação sexual nas escolas para que as crianças aprendam o que é abuso e a luta pela ampliação e fortalecimento das redes de atendimento de proteção para famílias que sofrem com a violência doméstica.

Além de Márcia Viana, as mesas foram conduzidas pelas demais dirigentes da CUT-SP: Telma Victor, Juliana Salles, Joyce Jaqueline, Rosana Silva e Kelly Domingos. Neste ano, mesmo em formato virtual, foram mais de 200 inscrições para os dois dias, com representações de todos os setores que compõem as bases de trabalhadores da CUT-SP.