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Mulheres lançam em SP a 6ª edição da Marcha das Margaridas 2019

Em agosto, mulheres de todo país se reúnem em Brasília em defesa dos direitos; ato em SP teve a participação de lideranças sindicais e de movimentos sociais

Publicado: 23 Maio, 2019 - 17h38 | Última modificação: 23 Maio, 2019 - 18h37

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

Elineudo Meira/PT Paulista
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Lideranças sindicais e de movimentos sociais se reuniram na noite da última quarta-feira (22) na Câmara Municipal de São Paulo, para o lançamento da Marcha das Margaridas 2019. A atividade contou com a presença das trabalhadoras da base da CUT-SP e de seus sindicatos. 

A Marcha das Margaridas é uma ampla ação estratégica das mulheres para conquistar visibilidade, reconhecimento social, político e cidadania plena. Esta será a 6ª edição do evento, que acontecerá nos dias 13 e 14 de agosto, em Brasília, reunindo as mulheres do campo, da floresta, das águas e da cidade de todo o Brasil.

Na atividade de São Paulo, além dos sindicatos CUTistas e da CTB, estiveram presentes mulheres representantes dos movimentos de moradia, movimento negro e de defesa dos direitos humanos.

Secom CUT-SPSecom CUT-SP

A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Márcia Viana, afirmou que as trabalhadoras de São Paulo já iniciaram a organização rumo ao Distrito Federal por entenderem o quanto essa atividade é significativa no momento atual.  “Estamos retrocedendo em muitas áreas. A violência de gênero e racial, no campo e na cidade, tem apresentado números alarmantes e não vemos avanços em políticas de enfrentamento a isso. Pelo contrário, estamos lutando para não perder o que conquistamos. Também estaremos unidas contra a reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro. Se ela for aprovada, a situação para as mulheres só irá piorar em todos os aspectos”, disse.

Juneia Martins, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Nacional, disse ser muito importante realizar a Marcha durante o mandato de um governo conservador, como este de Jair Bolsonaro (PSL). “Estamos indo às ruas por várias questões, mas principalmente pelo momento político do qual vivemos, de Estado de exceção. Para mim, vivemos algo próximo do que foi 1933, durante o Terceiro Reich (na Alemanha), quando se incentivava o nazismo, quando ocorria o fechamento de escolas e a eliminação de disciplinas. Era uma cultura do medo e que tentam implantar agora aqui. Mas as ‘margaridas’ não se calarão e vão sair em marcha para denunciar e enfrentar tudo isso”.

Eleonora Menicucci, militante e socióloga, lembrou o período em que os movimentos organizados eram ouvidos pelos governos de Lula e Dilma e colaboravam na construção das políticas publicas. Menicucci foi ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres no governo Dilma. “Era um governo que tinha diálogo com os movimentos sociais e que abriu todas as portas de possibilidades para a realização da Marcha. Infelizmente hoje não há nenhuma perspectiva nesse sentido com o governo que está aí”, afirmou.

Elineudo Meira/PT PaulistaElineudo Meira/PT Paulista

Já Sonia Coelho, da Marcha Mundial das Mulheres, lamentou que nesta edição temas como a fome e a pobreza estejam voltando à pauta das mulheres, questões que já haviam tido respostas nos últimos anos. Ela também apontou o quanto a Marcha colaborou no fortalecimento do feminismo no Brasil. “A Marcha é um processo de auto-organização das mulheres e fortaleceu o feminismo nesses anos todos. Não dá para pensar em construir um projeto popular feminista e antirracista nesse país se não estiver junto com as mulheres do campo, quilombolas e indígenas. Isso é um elemento que mostra o quanto a Marcha fortaleceu esse processo do feminismo como uma ferramenta fundamental na luta de classes”.

Na segunda mesa da noite, as mulheres parlamentares pelo PT, falaram sobre os desafios pautar os temas relacionados à defesa das mulheres na atual conjuntura política ao mesmo tempo em que precisam enfrentar e combater agendas conservadoras. Participaram a vereadora Juliana Cardoso, as deputadas estaduais Beth Sahão e Márcia Lia. Representado a deputada Professora Bebel, Marta Domingues, Bete Silvério, secretária de Mulheres do PT-SP, e as representantes da União dos Movimentos de Moradia de São Paulo e do Movimento Agroecológico da Colômbia.

Um coral, formado por sindicalistas de diversas categorias da CUT-SP, cantaram canções de luta e adaptaram versões clássicas de marchinhas com “Ô abre alas queremos passar/ As margaridas sempre a plantar / os alimentos para sustentar” e puxaram um Lula livre entre as participantes.

Marcha em agosto

A data escolhida - 13 e 14 de agosto - e o nome da marcha lembram a morte da trabalhadora rural e líder sindicalista Margarida Maria Alves, assassinada em 1983 quando lutava pelos direitos dos trabalhadores na Paraíba.

O evento é construído a partir de amplo processo formativo, de debate, ação política e mobilização, desenvolvido pelas mulheres desde suas comunidades, municípios e estados, até chegar às ruas da capital do país. 

Coordenada pela Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), suas 27 Federações e mais de 4 mil sindicatos filiados, a Marcha das Margaridas se constrói em parceria com os movimentos feministas e de mulheres trabalhadoras, centrais sindicais e organizações internacionais.

Desde o seu surgimento, no ano 2000, a Marcha vem se construindo como a maior e mais efetiva ação de luta das mulheres do campo, da floresta e das águas, contra a exploração, a dominação e todas as formas de violência e em favor de igualdade, autonomia e liberdade para as mulheres.

Confira abaixo a transmissão da atividade: