Mulheres gráficas reprovam Bolsonaro por comemoração ao golpe militar
Para as trabalhadoras, comemorar esse golpe à democracia e aos direitos humanos é inconstitucional e até criminoso
Publicado: 03 Abril, 2019 - 17h24 | Última modificação: 03 Abril, 2019 - 17h28
Escrito por: Sindicato dos Gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e Região
No último domingo (31), dia em que o governo Bolsonaro orientou militares a comemorarem os 55 anos do golpe militar no país, dezenas de mulheres gráficas lotaram a sede Jundiaí do Sindicato da categoria (Sindigráficos) para repudiar essa atitude contra a Constituição brasileira e dizer “ditadura nunca mais”. E, segundo essas mulheres, o repúdio delas se estende a outra mulher, uma desembargadora que permitiu judicialmente este tipo de culto às violências contra os direitos humanos e à democracia. Afinal, diferente do que defende Bolsonaro e seus apoiadores para tentar mudar a história, o golpe militar (de 1964 a 1985) foi um triste período de censura da mídia, dissolução do Congresso Nacional e intervenção de sindicato. E junto a isso, exílio, mortes e torturas de homens e mulheres que lutavam por direito e volta da democracia. Nem idosos e crianças foram poupados.
“Nosso ato de desagravo vai para Bolsonaro e à desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal (TRF1), esta mulher que derrubou a liminar judicial de outra mulher, a juíza federal Ivani Silva, da 6º Vara Civil de Brasília, que impediu a comemoração da intervenção militar antidemocrática e contra o conjunto de direitos humanos”, frisaram as trabalhadoras gráficas associadas ao Sindigráficos durante o protesto.
Ditadura Nunca Mais. Mais que uma frase, mas o símbolo em defesa da democracia e dos direitos humanos, elas marcaram a sua posição contra todos que comemoram torturas de homens, mulheres, idosos e crianças, como ocorrido no Golpe Militar e revelado pelo Estado brasileiro através da Comissão da Verdade, onde começou a passar a limpo essa história. Nem mesmo a mulher idosa, de quase 60 anos, era respeitada pelo golpe dos militares, a exemplo de Tia Tercina de Oliveira, presa por lutar por democracia e por ter filhos operários que lutavam por direitos trabalhistas. Além de passar pelos horrores desse cárcere militar, foi expulsa do Brasil.
Sem o respeito à democracia e aos direitos dos humanos, como o respeito à liberdade e ao exercício político e de expressão por todos do País, seja do patrão, mas também do trabalhador, do homem, bem como da mulher, a classe trabalhadora e as mulheres serão sempre os mais prejudicados diante da força bruta, como ocorreu com todas aquelas que se opunham ao regime totalitário dos militares, respaldado por setores empresariais.
Portanto, comemorar esse golpe à democracia e aos direitos humanos é inconstitucional e até criminoso, ainda mais quando o presidente brasileiro é que orienta a comemoração desse crime. E, vale lembrar que Bolsonaro defende emprego sem direitos, diz que o trabalhador tem direito demais – direitos estes que levaram trabalhadores à prisão e tortura por defendê-los durante o período do golpe militar. Por tudo isso e outras violências, as trabalhadoras gráficas sindicalizadas acertam neste ato de desagravo aos que celebram ou defendem a comemoração do golpe à democracia. E acertam a dizer Ditadura Nunca Mais em defesa da vida e dos direitos.