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Método Potencial joga a toalha e tenta na Justiça acabar com a greve na Revap

Enquanto isso, trabalhadores seguem sem pagamento do salário e vale alimentação

Publicado: 11 Novembro, 2021 - 17h10 | Última modificação: 11 Novembro, 2021 - 17h14

Escrito por: Alessandra Jorge - Sintricom SJC e Litoral Norte

Divulgação
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Pressionada pelos trabalhadores, em greve há 9 dias e pela Petrobrás, que cobra a retomada das atividades, a empresa Método Potencial, terceirizada que presta serviços de manutenção de rotina na Refinaria Henrique Lage (Revap) em São José dos Campos, interior de SP, entrou com dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região de Campinas (TRT-15).

Em assembleia na manhã de hoje (11) na Portaria P4 da Revap, o presidente em exercício do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil, do Mobiliário e Montagem Industrial de São José dos Campos e Litoral Norte (Sintricom), Marcelo Rodolfo da Costa ressaltou a importância da participação dos trabalhadores na audiência que será marcada nos próximos dias.

“O gato (empresa) teve que se mexer. Ontem (10) ele suscitou o dissídio. Ele jogou a toalha. Tirou da responsabilidade dele e jogou para a Justiça mediar esse conflito. Nós vamos ser notificados da audiência por videoconferência pra gente discutir toda essa situação aqui, além do pagamento do salário. Nós vamos passar o horário e gostaríamos de ter trabalhadores presentes nessa audiência para juntos construirmos a nossa vitória”, disse o dirigente Marcelo Rodolfo.

Confissão de dívida

Além do pagamento dos atrasados, o Sintricom continua cobrando a Método Potencial pela elaboração de uma “Confissão de dívida”, por meio de um aditivo no contrato que a Método mantém hoje com a Petrobrás.

A “confissão de dívida” permitiria que a Petrobrás use os valores retidos do contrato e/ou medições para quitação de todos os atrasados (salário de outubro e vale alimentação) e também garanta a quitação dos já demitidos.

Conforme combinado, o jurídico do Sintricom enviou ontem, à Revap e à Método, uma minuta para tentar viabilizar esse acordo.

Mesmo sendo possível e já autorizada pela Justiça em outras Refinarias como na RPBC (Refinaria Presidente Bernardes) em Cubatão e na REPAR (Refinaria Presidente Getúlio Vargas) em Araucária-PR, em São José dos Campos, a adoção do procedimento está sendo postergada pela Método Potencial e pela Petrobrás.

Tragédia anunciada

Sem considerar a situação financeira das empresas e priorizando apenas o menor preço nas licitações para contratação, a Petrobrás contribui para os constantes atrasos e calotes.

No caso da Método Potencial, a situação financeira da companhia também tem ocasionado atrasos em outras refinarias: RPBC (Refinaria Presidente Bernardes em Cubatão), REPAR (Refinária Presidente Getulio Vargas) em Araucária-PR, na Replan em Paulínia e Província Petrolífera de Urucu, em Coari-AM. 

Na Revap, em São José dos Campos, a empresa mantém seu maior contrato no momento, que deve ser encerrado em fevereiro do próximo ano.

Unidade Sindical 

CUT no Vale do Paraíba e sindicatos apoiam a greve na Revap 

A coordenação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Vale do Paraíba e Litoral Norte e sindicatos filiados tem mostrado nas assembleias a importância da unidade sindical. 

Já demonstraram seu apoio: Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba e do Sindicato da Construção Civil de Jacareí (STIC MOB), Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos (Sindipetro-SJC), Sindicato dos Papeleiros de Jacareí, Sindicato dos Vidreiros do Estado de SP, Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté (Sindmetau) e Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba (Sindmetalpinda). 

“Quero parabenizar e dizer para vocês que continuem. Só assim a empresa vai entender que o trabalhador de braços cruzados está reivindicando nada mais do que os seus direitos. Ninguém trabalha de graça companheiros. Nem relógio trabalha de graça, sem bateria não vai não. E sem salário também não. E a empresa quer cortar ônibus e ainda quer que vocês venham trabalhar por conta própria? Isso é inadmissível!”, disse o diretor do Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba, Elmar Rodrigues.