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Lucro do Itaú em 2017 foi o maior da história

Por outro lado, banco utiliza reforma trabalhista para retirar direitos dos bancários

Publicado: 07 Fevereiro, 2018 - 11h34

Escrito por: Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

Arte: Clker-Free-Vector-Images / Pixabay
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O Itaú obteve em 2017 o maior lucro da história de uma instituição financeira no Brasil, alcançando lucro líquido recorrente de R$ 24,879 bilhões, crescimento de 12,3% em relação a 2016. Por outro lado, o banco retira direitos dos trabalhadores, justamente os responsáveis por construir resultados cada vez melhores, e enfraquece a representação dos bancários apoiado na reforma trabalhista de Temer, da qual Roberto Setubal, copresidente do Conselho de Administração e ex-presidente do Itaú, foi um dos defensores mais fervorosos.

"O Itaú teve em 2017 lucro líquido de R$ 24 bilhões e crescimento de 12,3%, mas reduziu os empréstimos no país em 0,8% e ainda fechou 133 agências nos últimos 12 meses.  Mesmo com o lucro crescente, mantem o desrespeito com os trabalhadores e o movimento sindical, retirando as homologações do Sindicato e tentando modificar regras da Convenção Coletiva de Trabalho com a reforma trabalhista", critica a presidenta do Sindicato, Ivone Silva.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido do Itaú no ano passado foi de 21,8%, aumento de 1,5 p.p. em relação a 2016. O aumento do resultado do banco se deu principalmente por conta de redução de despesas de intermediação financeira. A despesa de captação, que é a maior despesa do banco, apresentou queda de 14%. As despesas de PDD, por sua vez apresentaram forte queda de 26%.

“A defesa que o Itaú fez da reforma trabalhista, a que faz agora da reforma da Previdência, e o lucro recorde de 2017 revelam o tamanho da ganância dos banqueiros. Mesmo faturando como nunca, o Itaú insiste em jogar nas costas dos trabalhadores, dos seus direitos e proteções legais, a `culpa´ por uma crise que não o afeta. Em vez de valorizar quem constrói seu lucro, o banco os pune”, diz a secretária de Imprensa e Comunicação do Sindicato e bancária do Itaú, Marta Soares.

O Itaú foi um dos primeiros bancos a aplicar pontos da reforma trabalhista de Temer, retirando a homologação dos Sindicatos e tentando promover modificações com relação à definição de data e período de férias, o que foi revertido.

“Com isso, o trabalhador será, com certeza, prejudicado. (...) Nas homologações, nós barrávamos demissões injustas de pessoas doentes, assediadas sexual e moralmente, pessoas que sofreram homofobia", enfatiza Ivone.

O Sindicato orienta que, caso sejam demitidos, os bancários do Itaú procurem a entidade, que mantém os serviços de assistência jurídica e de saúde aos trabalhadores, antes de assinar qualquer documento relacionado à homologação. 

“Mesmo que o Itaú tenha retirado as homologações do Sindicato, atacando nosso papel de fiscalizar se os direitos dos bancários estão sendo respeitados, mantemos a assistência jurídica e de saúde aos trabalhadores. Inclusive, por força de ação judicial do Sindicato, já tramitada em primeira e segunda instâncias, o Itaú está proibido de demitir bancários com confirmação ou suspeita de Ler/Dort. Portanto, procurar o Sindicato antes de assinar a homologação é essencial para verificar se a demissão foi legal e se os valores pagos ao trabalhador estão corretos”, explica Marta. 

O bancário pode entrar em contato com o Sindicato pela Central de Atendimento (11 3188-5200) ou via WhatsApp (11 97593-7749).    

Agências fechadas – O Itaú fechou 133 agências, reduzindo o número de unidades físicas para 3.520 em dezembro de 2017. Já as agências digitais chegaram a 160, com elevação de 25 unidades em relação a dezembro de 2016.

O número de trabalhadores chegou a 82.640, aumento de 1.769 postos de trabalho em 12 meses. De acordo com o relatório do banco tal elevação se deu em função de contratações para a estrutura do Banco de Varejo, relacionado à rede de agências, e também à força de vendas da REDE. Além disso, o Itaú informou que há 2.897 trabalhadores provenientes do Citibank, ainda não incorporados nos seus números.
As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 5,7%, chegando a R$ 23,8 bilhões. Apenas com essa receita o banco cobre 107% do total das suas despesas com pessoal.

Outros números - A carteira de crédito do Itaú apresentou queda de 0,8% em 12 meses, chegando a R$ 593,7 bilhões. Quando são contabilizadas as operações provenientes da aquisição do Citibank, a carteira chega a R$ 600,1 bilhões, leve alta de 0,3%. O crédito a pessoas físicas aumentou 0,6%, enquanto o crédito para empresas teve forte queda de 7,6%.

O índice de inadimplência foi de 3,0% da carteira em dezembro de 2017, ante 3,4% em dezembro de 2016.

O banco anunciou uma modificação em sua política de distribuição de lucros e dividendos aos acionistas. Antes o Itaú distribuía entre 35% e 45% de seu lucro. A partir de agora retirou o limite máximo. Ou seja, pagará no mínimo 35%, com a possibilidade de aumentar indefinidamente. A cada ano o conselho de administração irá definir qual será o percentual de distribuição. 

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