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Juventude deve se apropriar do movimento sindical para ter perspectivas de futuro

“É preciso entender que a luta não é apenas a geração de emprego com vínculo, mas de um emprego de qualidade, e aí que entra o sindicato”, diz secretária de Juventude da CUT-SP

Publicado: 14 Maio, 2021 - 18h46 | Última modificação: 14 Maio, 2021 - 18h54

Escrito por: Redação CUT São Paulo

Reprodução
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Sob o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), a juventude brasileira amarga somente notícias ruins. A taxa de desemprego entre os que têm de 18 a 24 anos ficou em 29,8% no fim de 2020, segundo o IBGE. Na educação, houve desmontes no programa ProUni, de concessão de bolsas em universidades, além de uma organização desastrosa do último Enem, que foi aplicado mesmo com recomendações sanitárias de adiamento por conta da pandemia de covid-19. Já o FIES, que financia cursos universitários sem juros, tem sido alvo de críticas do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Soma-se a tudo isso as reformas realizadas no Brasil nos últimos anos que praticamente inviabilizam aposentadorias e que autorizam modalidades de trabalho sem jornada e salários fixos, deixando cada vez mais difícil o acesso dos jovens ao mundo do trabalho.

Para discutir alternativas de enfrentamento a esses ataques do governo e as estratégias do movimento sindical para se aproximar dos jovens, a CUT-SP realizou nos dias 13 e 14 um Encontro da Juventude, que reuniu representantes de diversas categorias. A atividade virtual foi organizada pela Secretaria de Juventude e a de Formação, com o apoio da Secretaria de Formação da CUT Brasil, e da central sindical alemã DGB, que possui uma frente de atuação de fortalecimento dos jovens trabalhadores organizados.

Na fala de abertura do primeiro dia, a metalúrgica de Sorocaba e secretária de Juventude da CUT-SP, Priscila dos Passos Silva falou dos desafios de mobilização dos trabalhadores até os 35 anos, sobretudo em tempos de mudanças nas formas de trabalho. “Temos um grande número de jovens em funções informais, trabalhando por aplicativos ou em condições precárias, mas que não se aproximam dos sindicatos para lutar por direitos porque não entendem essa estrutura como algo necessário. Mas é preciso entender que a luta não é apenas a geração de emprego com vínculo, mas de um emprego de qualidade, e aí que entra o sindicato”.

Secretária de Juventude da CUT-SP, Priscila dos Passos Silva

Nessa linha, a secretária de Formação da CUT-SP, Telma Victor reforça a necessidade dos trabalhadores informais entenderem a importância da organização de classe, pois é o que garante a manutenção e conquistas de direitos. “Esse grande número de informalidade tem feito as pessoas migrarem para trabalho por aplicativos, empregos sem direitos, sem perspectiva. Esse jovem pode até começar a trabalhar mais cedo, mas irá se aposentar muito distante daquilo do que havia planejado”, disse.

Já Cristiana Paiva Gomes, que comanda a pasta da Juventude na CUT Nacional, aproveitou para celebrar a participação nos encontros que estão ocorrendo por todo Brasil. “Estamos promovendo esses encontros em todos os estados, pois, neste momento difícil do país, é preciso trazer a juventude para fortalecer a nossa militância. E temos discutido muito como ampliar a participação de todos, inclusive jovens que não estão nos sindicatos ou mesmo os que estão desempregados”.

Secretária de Formação da CUT-SP, Telma Victor

Para Daniel Calazans, secretário-geral da CUT-SP, o Brasil vive um momento econômico e político desolador para todos os públicos, mas com grandes consequências sobre os jovens, pois não conseguem pensar num futuro. “É terrível quando olhamos pra uma sociedade onde se encontra um grande número de jovens sem perspectiva. Toda a estrutura do estado que estava montada para o desenvolvido social, que incluía a inserção do jovem no mercado de trabalho e na educação, foi completamente desmontado desde o golpe de 2016”.

No segundo momento do encontro, a cientista social Adriana Marcolino, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), apresentou dados preliminares de um levantamento realizado em parceria com a CUT e a DGB, sobre o perfil dos jovens trabalhadores.

Na pesquisa, foram ouvidos jovens sindicalizados e não sindicalizados que, no geral, apontaram a existência de um distanciamento entre o sindicato e sua base de trabalhadores e que, quando desejam participar da estrutura sindical, não encontram espaço para tal.

Cristiana Paiva Gomes, que comanda a pasta da Juventude na CUT Nacional

Em sua análise, Adriana entende que há espaço para aproximar esses jovens. “Apesar das transformações dos regimes de trabalho, a classe trabalhadora ainda está muito ligada à ideia do querer reduzir a exploração que sofre no mundo do trabalho”, falou.

O segundo dia do encontro foi definido como um momento de planejamento dos participantes sobre ações de mobilização para o próximo período.