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Juristas lançam campanha “Moro Mente” e exigem saída do ministro da Justiça

Entidades promovem ato na Faculdade de Direito da USP em São Paulo para denunciar violações de Moro na operação Lava Jato

Publicado: 19 Agosto, 2019 - 23h33 | Última modificação: 20 Agosto, 2019 - 00h12

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Ricardo Stuckert
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Um ato público para denunciar as ilegalidades cometidas pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, quando era juiz da operação Lava Jato, ocorreu na noite desta segunda-feira (19) na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

O evento, organizado pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) que, na ocasião lançou a campanha #MoroMente, lotou o salão nobre da faculdade com movimentos populares, juristas e entidades de diferentes segmentos, entre as quais a CUT.

O ato ocorre em meio a revelações de uma série de reportagens que apresentam um conluio parcial entre o então juiz de Curitiba - hoje ministro- e procuradores.

A desembargadora aposentada, Kenarik Boujikian, lamentou os 500 dias da prisão política do ex-presidente Lula.

"Já estava provado e, agora, mais do que provado pelas revelações do The Intercept, que Moro agia com parcialidade para um projeto pessoal. Um julgamento de um juiz parcial é uma fraude. Uma fraude também contra o povo brasileiro para que um projeto de país não fosse colocado na disputa eleitoral através do seu maior representante Luiz Inácio Lula da Silva”, disse.

Segundo a desembargadora aposentada, as consequências de todo este processo resultaram na eleição de um governo que hoje é resultado de “maior desemprego, do retorno das pessoas abaixo da linha da miséria, da soberania devastada, das riquezas entregues, da reforma trabalhista e previdenciária, da educação como mercadoria e da violência intensificada contra jovens, negros e periféricos e contra povos indígenas”.

Da mesma forma, a coordenadora nacional do MST e representante da Frente Brasil Popular, Kelli Mafort, repudiou as ações de Moro e do governo e afirmou que a justiça deve ser defendida no Brasil a partir do pressuposto da democracia. Abordou em sua fala a questão da luta social.

"A justiça deve se dar com igualdade social para aqueles trabalhadores e trabalhadoras sem-teto e sem-terra que estão lá na ponta, sofrendo com a reintegração de posse. Para que possam ter alguma crença na justiça brasileira. Por isso, é mais do que urgente e necessário que Sérgio Moro ouça a voz das ruas e saia imediatamente do Ministério da Justiça", disse.

Em consonância com Kenarik e Kelli, representando a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Tânia Oliveira caracterizou o governo de Jair Bolsonaro (PSL) como o que constrói um projeto antinacional. "No sistema de Justiça, temos este personagem que é uma farsa. Um juiz que persegue inimigos políticos. E a maior vítima é, certamente, Lula. E quando dizemos que  Moro mente, estamos dizendo que Bolsonaro também mente”, acrescentou.

Durante o ato também falaram representantes de partidos políticos e parlamentares que se opõe ao governo.

Uma das falas mais aclamadas foi a do ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Em um primeiro momento, ele destacou que Moro tem sido cotidianamente “humilhado pelo governo ao qual ele decidiu servir”. “Conduziu o processo contra o ex-presidente Lula na ponta do dedo. Cometeu todas as ilegalidades possíveis para forjar uma história e inventar provas para retirar o Lula da disputa presidencial que ele ganharia com folga, como todos nós sabemos”, disse.

Depois fez críticas à postura política de uma parcela de militares das Forças Armadas brasileiras, que tem manifestado apoio às políticas do governo.

"A gente fica atônito com o comportamento dos militares bolsonaristas. Porque a gente precisa chamar as coisas pelo nome. Não podemos chamar de Forças Armadas uma meia dúzia de generais entreguistas. Não podemos chamar de Forças Armadas quem desonra a farda e desonra o Brasil", destacou Haddad.

Assista a transmissão ao vivo feita pela CUT São Paulo