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Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba (SP), é prova de que é possível envelhecer mal

Apesar de centenária, publicação mostra que o acúmulo de idade não significa, necessariamente, mais sabedoria; Editorial do jornal segue defendendo governo Bolsonaro e ignora a luta dos trabalhadores

Publicado: 05 Maio, 2021 - 14h42 | Última modificação: 05 Maio, 2021 - 15h38

Escrito por: CUT São Paulo

Arte: Maria Dias/CUT-SP
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No último sábado, 1º de Maio, as centrais sindicais e movimentos populares, mais uma vez, realizaram manifestações de luta e celebração ao Dia dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. Coerentes ao momento de crise sanitária e dada a gravidade da condução da política de saúde no Brasil, os atos deste ano ocorreram, em sua maioria, por meio de carreatas ou ações simbólicas, de forma a garantir que não tivessem aglomerações. A atividade principal, com a participação de representantes da classe política e artística, foi virtual, conforme amplamente repercutido pela mídia.

Nas carreatas e faixaços dos trabalhadores, realizados com a participação da CUT e de seus sindicatos em mais de 40 pontos de todo Estado de São Paulo, houve a defesa da vacinação para todas e todos, o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde), do auxílio emergencial de 600 reais até o fim da pandemia, dos empregos, da luta contra a volta das aulas presenciais, da fome e a carestia. Os participantes também explicitaram sua contrariedade à reforma Administrativa e as privatizações, além de pedirem o fim do governo Bolsonaro (ex-PSL) por entender que ele atrapalha – propositalmente – o andamento do país. Ao invés de convocar um ato reunindo milhares de pessoas, decidimos por descentralizar as ações, priorizando as periferias e bairros pobres, em diálogo com a população sobre o atual momento, apontando caminhos possíveis e mostrando que a luta deve ser por políticas que priorizem a vida.

Também demos continuidade, durante os atos e lives, às campanhas de arrecadação de alimentos e itens de higiene, que estão sendo entregues às famílias que passaram a viver situações de extrema pobreza nos últimos tempos. Uma verdadeira demonstração de solidariedade por parte do povo.

Mesmo assim, na terça-feira, 4 de maio, o editorial “Manifestações em verde e amarelo”, do jornal Cruzeiro do Sul, que circula em Sorocaba (SP), ignorou por completo esses eventos, escolhendo divulgar e ressaltar somente os atos antidemocráticos realizados pelos defensores do governo federal em texto totalmente desconectado da realidade. Diante disso, é preciso pontuar algumas questões:

- As manifestações celebradas pela publicação, em defesa do governo Bolsonaro, contaram com participantes sem máscaras e que, abraçados uns aos outros, pediam intervenção militar e o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) – o que é ilegal, de acordo com a Constituição, assim como gritavam contra uma suposta imposição comunista sobre o Brasil (?). Uma verdadeira irresponsabilidade dos que ignoram por completo os desmandos de quem está no poder e deixou de garantir vacinas à população ainda em 2020, que negou a pandemia do vírus pelo país, desacreditando na ciência ao incentivar o uso de medicamentos sem comprovação, além de se colocar contra medidas restritivas recomendadas e realizadas no mundo todo. Como resultado, alcançamos a triste marca das mais de 410 mil pessoas mortas por covid-19.

- Em outro parágrafo, o jornal cita, ainda, que as manifestações antidemocráticas defendiam “valores, ética e honestidade”. Aqui nem entraremos nas inúmeras acusações que pesam sobre alguns integrantes do governo e familiares (todos políticos, inclusive) de Bolsonaro. Acreditamos que a publicação deva, ao menos, acompanhar o noticiário de outros jornais, para se informar.

- O diário também aponta que nenhum partido é dono da classe trabalhadora. E isso é verdade. No entanto, é impossível não enxergar quais governos estiveram ao lado dos trabalhadores e que os envolveram nas principais tomadas de decisões sobre os rumos do país.

Cabe lembrar que, nos governos populares e democráticos de Lula e Dilma (PT), tivemos a real valorização do salário mínimo, vivenciamos um dos patamares de desemprego mais baixos da história, houve a liberação de crédito para pequenos empresários e trabalhadores rurais, assim como inúmeras políticas de incentivo à economia e em áreas sociais que ajudaram a reduzir a desigualdade.

Já na gestão de Bolsonaro, como na de seu antecessor Michel Temer (MDB), houve o patrocínio das maiores atrocidades contra a população: fim da aposentadoria, da desvalorização do salário mínimo, uma reforma trabalhista que tirou tudo quanto é direito, redução dos investimentos (Teto de Gastos) em saúde, educação, assistência social e tantas outras maldades. Até o momento são 14 milhões de desempregados e outros milhares na informalidade. E o pior: a fome voltou ao país.

Negar essa realidade é lamentável, sobretudo para o Cruzeiro do Sul, um dos mais antigos jornais do Brasil, de quase 120 anos de atuação. Entretanto, ele é a prova contundente de que o acúmulo de idade não significa, necessariamente, agregação de sabedoria. Mostra que, sim, é possível envelhecer mal. 

São Paulo, 5 de maio de 2021

Direção Executiva da CUT São Paulo