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Jornada de debates discute com trabalhadores a CUT do futuro

Dirigentes sindicais apontam os desafios do mundo do trabalho diante da indústria 4.0 e das práticas antissindicais endossadas por governos. Ciclo é preparação a um dos congressos mais importantes da entidade

Publicado: 12 Agosto, 2019 - 11h12 | Última modificação: 12 Agosto, 2019 - 15h02

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

Foguinho/ Imprensa SMetal
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Jornada realizada em Sorocaba em 19 de julho

Desde o início de junho, dirigentes da CUT têm percorrido o estado de São Paulo para promover debates sobre o futuro do sindicalismo e as novas formas de trabalho, diante de um avanço tecnológico que reduz postos de empregos e de um governo que busca fragilizar a organização dos trabalhadores, apoiando práticas antissindicais feitas pelas empresas. 

A jornada “A CUT Que Queremos” é uma realização da secretaria de Organização Sindical da CUT-SP em parceria com a Secretaria de Administração e Finanças da CUT Brasil. Nos encontros, promovidos em 19 regiões do estado, os trabalhadores e dirigentes sindicais se reúnem para discutir o fortalecimento da luta em defesa dos direitos, pensar novas formas de financiamento das estruturas do movimento e buscar um novo modelo de organização, que contemple, por exemplo, trabalhadores desempregados e que atuam de maneira mais autônoma, como por meio dos aplicativos Uber, 99, iFood e Rappi. 

Divulgação/CUT-SPDivulgação/CUT-SP
Jornada realizada em Guarulhos no dia 15 de julho

Essa jornada é também uma das ações preparatórias da CUT para o Congresso Nacional da entidade, que ocorre em outubro, e para o Congresso Estadual da CUT-SP, previsto para novembro. Entretanto, o ciclo pelo estado tem um formato mais livre, permitindo, inclusive, a participação de sindicatos e associações de trabalhadores não filiados à entidade, mas que desejam contribuir na discussão. Dessa forma, a CUT reafirma o compromisso de apontar resoluções construídas pela base, estando em sintonia com as demandas dos sindicatos nos locais de trabalho. 

Secretário de Organização Sindical da CUT-SP, Hélcio Aparecido diz que o Congresso deste ano será um dos mais importantes da história da entidade por ocorrer em momento de intensa transformação tecnológicas no mundo do trabalho. Para ele, se o primeiro Congresso, em 1983, teve a fundação da CUT como marco, rompendo com a estrutura oficial getulista da época e construindo um movimento sindical combativo e de representação do conjunto dos trabalhadores, o deste ano irá preparar a CUT para o novo modelo do mundo do trabalho, onde os postos de empregos têm sido substituídos pela automação – a chamada indústria 4.0. 

“Participar desse debate é extremamente fundamental para que cada um dos sindicatos entenda o que está ocorrendo em sua base e se prepare para ser uma organização do futuro, ao lado de uma CUT também do futuro, que continue tocando a luta dos trabalhadores com contundência, mas também com consequência, abraçando e organizando cada vez mais o conjunto da classe trabalhadora”. 

Divulgação/CUT-SPDivulgação/CUT-SP
Jornada realizada no Vale do Paraíba em 22 de julho

Secretário de Administração e Finanças da CUT Brasil, Quintino Severo ressalta que esses debates ocorrem em momento complicado da conjuntura nacional, sob um governo que promove ataques sistemáticos à classe trabalhadora. “Esse processo de debate reflete um pouco dessa necessidade do movimento sindical de encontrar saídas e um modelo que possa atender as profundas transformações que vem ocorrendo no mundo do trabalho. Mas eles servem para que também possamos criar ferramentas e instrumentos para enfrentar a conjuntura brasileira, já que vivemos um dos momentos mais difíceis para a classe trabalhadora por conta do atual governo de extrema-direita”, fala. 

Segundo Severo, o governo de Jair Bolsonaro busca fragilizar ainda mais o sindicalismo e que por isso é preciso preparar os sindicatos para essa fase futura, que já teve início com o conjunto de contratos precarizados que a reforma Trabalhista de 2017, do então governo de Michel Temer, trouxe. “Nós corremos o risco, muito em breve, do Estado não mais mediar as relações do capital e trabalho. Esse é um risco que se apresenta de forma muito imediata, e muito clara, porque cada proposta de reforma, como a Trabalhista, e, agora comenta-se, a reforma sindical, tem o propósito de acabar com o atual modelo de organização sindical, abrindo a possibilidade de não ter mais regras nas relações do sindicalismo brasileiro”, alerta o dirigente. 

Divulgação CUT-SPDivulgação CUT-SP
Jornada realizada em Jundiaí em 24 de julho

A jornada termina em setembro, mas Hélcio diz já estar satisfeito com os resultados colhidos até o momento. “Essa prática de deixar a CUT mais próxima do trabalhador deve ser potencializada cada vez mais. A base da CUT é muito rica em experiências, formulações e participação. Nossos sindicatos são envolvidos e politizados junto aos trabalhadores que representam. Certamente sairemos muito mais fortes e combativos desse ciclo”, finaliza.

Divulgação CUT-SPDivulgação CUT-SP
Jornada realizada em Campinas em 29 de julho
Divulgação CUT-SPDivulgação CUT-SP
Jornada realizada em Osasco em 31 de julho

 

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Jornada realizada da Baixada Santista em 6 de agosto