Janeiro Branco e a saúde mental dos profissionais da saúde
Publicado: 13 Janeiro, 2022 - 11h28 | Última modificação: 13 Janeiro, 2022 - 11h31
Escrito por: Helena Domingues - SindSaúde ABC
A campanha Janeiro Branco foi criada em 2014 com a proposta de “voltar os olhares do mundo para o que se passa na cabeça de cada um de nós”. Em 2022, quando se completam dois anos que estamos enfrentando uma situação sem precedentes com a pandemia de covid-19, a campanha assume uma importância ainda maior, especialmente para os profissionais da saúde.
“Quem luta na linha de frente precisa lidar com a morte, o medo do contágio e o estresse o tempo todo. Então, é necessário refletir: como fica a saúde mental dos trabalhadores da saúde neste momento?”, indaga o presidente do SindSaúde ABC, Almir Mizito.
Trabalhar com saúde nunca foi fácil. Durante uma pandemia, fica mais difícil ainda: todo profissional da saúde está sob pressão o tempo todo. Quando se tem a vida de outro ser humano nas mãos, uma decisão errada pode ser a diferença entre a vida ou a morte.
Somada a essa situação, os turnos extenuantes e a sobrecarga de trabalho são outros fatores que colocam em risco a saúde mental desses profissionais e, consequentemente, de pacientes.
Enquanto os cidadãos comuns são orientados a praticar o distanciamento social, os profissionais da saúde nadam contra a maré: eles precisam colocar a própria vida em risco para atender à população. E as longas jornadas de trabalho sempre deixam a incerteza e o receio de levar a doença para seus lares.
“A dor da perda afeta a todos e os profissionais da saúde, mesmo lidando com este risco em seu dia a dia, não estão imunes aos efeitos psicológicos da morte”, lembrou o dirigente, que também integra a direção da CUT-SP.
Quando somados, todos estes fatores colocam um peso extra nos ombros de quem está lutando para salvar vidas e podem desencadear transtornos mentais graves, sendo os mais frequentes: depressão, ansiedade e a Síndrome do Esgotamento Profissional, conhecida como Síndrome de Burnot.
Por conta disso, é fundamental que o profissional da saúde faça o possível para cuidar de sua própria saúde mental, o que inclui manter hábitos saudáveis, praticar algum esporte, fazer acompanhamento psicológico com profissional especializado etc.
É importante, também, que haja uma conscientização por parte dos gestores da saúde para aliviar esse quadro tenso, como a contratação de mais profissionais, organização de fluxos de atendimento e fornecimento adequado de EPIs (equipamentos de proteção individual), por exemplo.
O fundamental, no entanto, é acabar com a pandemia. “Mas, para isso, é necessário que o governo acate as orientações de cientistas, o que infelizmente não está ocorrendo. Ao contrário, temos um presidente insano e irresponsável, que cria embates absurdos que só dificultam o combate à doença”, concluiu Mizito.