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IstoÉ não paga salários e dá festa milionária

Segundo a direção da empresa, a instabilidade política e econômica do país dificulta o aporte financeiro de novos parceiros

Publicado: 02 Dezembro, 2019 - 17h52 | Última modificação: 02 Dezembro, 2019 - 18h10

Escrito por: Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Reprodução
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IstoÉ, afundada numa crise sem fim, oferece festa a João Doria, Deltan Dallagnol e outras personalidades, e dá as costas para a miséria vivida pelos funcionários, que estão com salários atrasados há quatro meses

Em reunião ocorrida na última sexta-feira, 22, entre o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e a Editora Três, que publica as revistas IstoÉ e Dinheiro, a empresa não apresentou qualquer proposta para resolver as irregularidades trabalhistas, como o atraso de salários, o não pagamento de férias e a falta de depósito do FGTS. O representante do Departamento Financeiro, Cássio Alcântara, afirmou que a “empresa está descapitalizada e sem acesso a crédito” e que somente neste ano a editora teve uma queda de 65% no número de assinaturas e vendas avulsas das revistas impressas.

Em busca de argumentos que tentem justificar as irregularidades trabalhistas, o que não é aceitável de qualquer ponto de vista, a editora diz que de 2012 a 2018 houve redução pela metade no faturamento, e que nos últimos dois anos os cofres da empresa – que hoje financiarão um banquete para o governador de São Paulo, João Doria, Deltan Dallagnol e outras personalidades – minguaram ainda mais. Segundo a direção da empresa, a instabilidade política e econômica do país dificulta o aporte financeiro de novos parceiros. O que, ainda de acordo com eles, “seria a solução definitiva para o problema financeiro”.

É inaceitável. A realidade gritante que a direção da empresa tenta esconder é que o empregador tem a obrigação de pagar os salários e os direitos trabalhistas, e não pode se furtar a isso sob pretexto algum.

Sem se comprometer com qualquer solução que busque ao menos reduzir o sofrimento dos trabalhadores, IstoÉ descartou uma proposta dos jornalistas que, em assembleia, exigiram o pagamento de pelo menos dois dos quatro salários atrasados. De fato, a Editora Três afirma que continuará a atrasar o pagamento dos salários, além de prosseguir na prática de outras irregularidades trabalhistas. O sindicato e os jornalistas não aceitam e repudiam a postura da empresa. A entidade lançará mão de todos os recursos disponíveis para exigir o cumprimento dos direitos.