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Imprensa sindical terá como desafio ampliar atuação nas plataformas digitais

Encontro Virtual de Comunicação da CUT-SP debate comunicação e estratégias para ampliar diálogo com trabalhadores e população

Publicado: 19 Agosto, 2020 - 11h53 | Última modificação: 19 Agosto, 2020 - 12h07

Escrito por: Rafael Silva e Vanessa Ramos - CUT São Paulo

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NO PÓS-PANDEMIA

O período de pós-pandemia no Brasil pode significar um momento de novas lutas para o movimento sindical e a classe trabalhadora. Isso porque a equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) buscará atender os desejos de grandes empresários e da elite financeira de reduzir, ainda mais, o papel do Estado, o que só é possível com a redução de direitos e de serviços públicos.

Essas foram as avaliações dos participantes do Encontro Virtual de Comunicação da CUT-SP, realizado na última quinta-feira, 13, pela plataforma Zoom.

A atividade reuniu dirigentes, jornalistas e secretários de Comunicação de sindicatos filiados à CUT São Paulo. Na ocasião, os participantes fizeram um balanço dos impactos da pandemia na comunicação sindical e dialogaram sobre as perspectivas do pós-pandemia, com cenário de desemprego em ano de eleições municipais.

“Para enfrentar esse momento de novos ataques, a imprensa sindical precisa estar fortalecida e alinhar estratégias de lutas que consigam dialogar com novos públicos, como trabalhadores que estão na informalidade e os jovens. Isso exigirá um trabalho também voltado ao diálogo por meio das plataformas digitais”, alertou o secretário de Comunicação da CUT-SP, Belmiro Moreira.

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Secretário de Comunicação da CUT-SP, Belmiro Moreira

Presidente da CUT-SP, o professor Douglas Izzo lembrou do papel da mídia comercial na construção de narrativas que apoiam reformas de ataques à população, como ocorreu com a reforma da Previdência e a Trabalhista, em 2017.

“Agora essa mídia trabalha para promover o projeto neoliberal de redução do papel do Estado do desgoverno Bolsonaro, a partir da proposta de Reforma Administrativa elaborada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua equipe. Precisamos construir uma campanha para contrapor essa narrativa nefasta de ataque aos servidores e aos serviços públicos”, falou o dirigente.

Secretário de Comunicação da CUT Brasil, Roni Barbosa, apresentou o projeto de fortalecimento dos canais sociais da Central para este momento. Na proposta, haverá mais integração entre o Portal, lançado no ano passado, e as páginas das CUTs estaduais.

Barbosa reforçou, no entanto, que os dirigentes sindicais precisam ampliar suas interações nas redes, de forma a ajudar os conteúdos a alcançarem mais pessoas. “Os sindicalistas precisam acompanhar os canais de comunicação dos sindicatos e da Central para comentar e compartilhar as postagens diariamente”.

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Presidente da CUT-SP, Douglas Izzo

Brasil em crise
Deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) fez uma análise da política nacional e do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) durante o encontro de comunicação da CUT-SP.

Segundo o parlamentar, uma série de acontecimentos podem se desdobrar ao mesmo tempo, dificultando a condução do governo. “Um dos fatores se refere à economia do pós-pandemia, que pode elevar o número de desempregados, ocasionando no aumento do número despejos e de pessoas em situação de rua e pobreza. Depois será cobrada a responsabilização sobre o número de mortes pelo coronavírus, a continuidade da renda emergencial, que seguiremos pressionando no Congresso para a sua manutenção, e os casos de denúncia que surgem a cada dia”, disse.

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Deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) durante participação no encontro

Em seguida, Teixeira explicou sobre o Projeto de Lei contra as Fake News (PL 2630/2020), destinado a investigar as ações das milícias virtuais que atuaram nas eleições de 2018 e os outros crimes cometidos contra a democracia através de notícias falsas.

No encontro, o parlamentar substituiu a também deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), que não pôde participar por questões de saúde e informou, no mesmo dia, ter testado positivo para Covid-19.

Segundo Teixeira, o projeto, já aprovado no Senado, ainda possui alguns pontos que geram discordâncias entre os movimentos progressistas. Contudo, afirmou que a pressão social conseguiu derrubar pontos perigosos do texto inicial, como o que analisava, com conceitos subjetivos, o que seria uma notícia falsa e quem faria essa definição, como a Justiça ou os proprietários das plataformas, uma situação que, de acordo com o deputado, poderia trazer censura e inúmeros casos de arbitrariedade. Outro ponto excluído é o que penalizava usuários comuns, abrindo espaço para proibir críticas a políticos.

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deputada estadual Beth Sahão (PT)

Entre os pontos conquistados no PL está a garantia de maior transparência das plataformas sobre o conteúdo que foi impulsionado (pago para alcançar mais pessoas) nas redes, a proibição de políticos e detentores de cargos públicos de bloquear usuários e a identificação de contas automatizadas (robôs). “Em muitos momentos, como em eleições ao redor do mundo, as próprias plataformas participaram da fraude na propagação das fakes news, então essa lei ajudará a regular essa questão”, disse Paulo.

Desmonte das empresas públicas
Presente no encontro, a deputada estadual Beth Sahão (PT) fez uma análise sobre a conjuntura paulista. De acordo com Beth, apesar das brigas públicas entre o governador João Doria PSDB) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a agenda de destruição dos serviços públicos é a mesma para ambos.

Na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), a parlamentar explicou que Doria encaminhou um projeto de lei de reforma administrativa que pretende extinguir 10 empresas públicas, autarquias e fundações, como a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), a Fundação para o Remédio Popular, Fundação Oncocentro de São Paulo, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S.A (EMTU), a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e até o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe).

“Para o sucateamento do estado, Doria e Bolsonaro caminham lado a lado. Esta proposta significa que essas empresas podem ter as suas atividades encerradas ou, na melhor das hipóteses, serem transformadas em departamentos vinculados às secretarias, perdendo autonomia financeira e independência administrativa e, portanto, deixarão de atuar em seus principais objetivos”, disse a deputada.

Caso esse projeto siga adiante, ressaltou, o governo estadual não vai mais investir na habitação e na moradia popular, não responderá pela questão agrária e não terá mais responsabilidade sobre seus servidores no que diz respeito ao atendimento à saúde. “Usará a desculpa de que haverá queda na receita (por conta da pandemia) e tentará forçar essa reforma”, alertou.

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Secretário de Comunicação da CUT Brasil, Roni Barbosa