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Imóveis abandonados são ocupados no ABC para atender mulheres vítimas de violência

Ao lado de outros movimentos, CUT-SP apoia a iniciativa e cobra respostas do poder público

Publicado: 28 Julho, 2021 - 13h45 | Última modificação: 28 Julho, 2021 - 15h40

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Divulgação /CUT-SP
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O Movimento de Mulheres Olga Benário protagonizou duas ações nesta semana no ABC Paulista. No último domingo (25), quando se comemora o Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, houve a ocupação de dois imóveis abandonados em Santo André e em Mauá, na região metropolitana de São Paulo.

A proposta é transformar os locais abandonados em espaços de referência para o atendimento e a acolhida de mulheres vítimas de violência.

O secretário de Comunicação da CUT-SP, Belmiro Moreira, e o presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Gheorge Vitti, estiveram no local nesta terça-feira (27) para apoiar a ocupação.

"Defendemos o combate à violência e o empoderamento das mullheres. Cobramos do governo a sua parte, para que os imóveis sejam destinados ao acolhimento às vítimas", afirma Moreira. 

Desde a ocupação, os locais foram limpos, receberam faixas de identificação e o movimento já realizou assembleias e atividades culturais. Agora, pressiona o poder público para a criação de políticas que fortaleçam a rede de proteção às mulheres no ABC paulista, investindo em equipamentos públicos.

Casas de Passagem

Espera-se, segundo nota divulgada pelo movimento, que os governos municipais invistam na construção de novas casas de passagem nos locais ocupados e reconheça os imóveis como equipamentos públicos que possam integrar uma rede de atendimento a mulheres. 

As casas de passagem são locais de acolhimento de curta duração para receber vítimas e prestar um serviço humanizado para mulheres. Em Santo André, o movimento batizou a ocupação como Casa de Passagem Carolina Maria de Jesus e, em Mauá, como Helenira Preta II.

Adriano Tomé e Jorge Ferreira/JornalistasLivresAdriano Tomé e Jorge Ferreira/JornalistasLivres

Integrante do movimento, Larissa Mayumi explica que as casas de passagem são importantes locais de acolhida para mulheres que não têm para onde ir, mas que não correm risco de vida.

“Existem diversos casos bastante complexos de violência contra as mulheres, mas a gente precisa que esses equipamentos funcionem para tirar a mulher em situação de violência por completo. Não só fazer um atendimento para remediar uma situação”, afirma.

Para Larissa, o avanço das políticas neoliberais vivenciado com ações dos governos federal, estaduais e municipais reforçam o descaso com investimentos em políticas e equipamentos públicos, situação também reiterada pela secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Márcia Viana.

“A ocupação de espaços abandonados pelas mulheres demonstra o quanto é preciso pressionar o poder público para que alguma coisa aconteça. Não apenas nos somamos ao movimento Olga Benário como também cobramos resposta do poder público sobre a criação de novas casas de passagem”, reforça.

Promessas não cumpridas

Desde 2019, as casas de passagem representam uma promessa não cumprida pelo Consórcio Intermunicipal Grande ABC.

“A desculpa foi a pandemia, mas na verdade foi o momento em que as mulheres mais precisavam. Tivemos um aumento não só dos números de casos, mas também com relação à gravidade”, destaca Larissa.

Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em março, aponta que uma em cada três mulheres sofre violência física ou sexual pelo parceiro. A base de dados diz respeito aos anos 2000 a 2018.

Apesar de o relatório não trazer dados durante a pandemia de covid-19, organizações que atuam junto a mulheres são unânimes em dizer que as denúncias de violência aumentaram.

Tanto o Movimento Olga Benário como outras entidades que acolhem vítimas, relata Larissa, receberam mulheres na pandemia com casos de queimadura ou tentativas de suicídios. “São casos extremos. Precisamos ter mais políticas de combate à violência”, afirma.

“Sabemos que a violência contra as mulheres se ampliou na pandemia, até mesmo pelo confinamento. Enquanto isso, foi ladeira abaixo o investimento governamental nesta área. É por isso, também, que temos pressionado governos como o de João Doria, em São Paulo, e lutado pela saída de Jair Bolsonaro, que opta por uma política de morte”, completa Márcia.