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Homenagem aos profissionais de saúde e aos que morreram no combate ao Covid-19

Dia Mundial em Memória dos Trabalhadores Vítimas de Acidentes de Trabalho e de Doenças Profissionais é no 28 de abril

Publicado: 23 Abril, 2020 - 10h46 | Última modificação: 23 Abril, 2020 - 10h57

Escrito por: José Freire, secretário de Saúde da CUT-SP, e André Alves, secretário de Saúde da Fetquim-SP-CUT

Pixabay
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28 de abril é o Dia Mundial em Memória dos Trabalhadores Vítimas de Acidentes de Trabalho e de Doenças Profissionais. A origem desta data remonta ao ano de 1969, quando ocorreu uma explosão em uma mina da cidade de Farmington, no Estado de Virginia, nos Estados Unidos. O acidente vitimou 78 mineiros. A partir dessa data, 28 de abril passou a ser considerado o Dia em Memória das Vítimas das más condições de trabalho. O dia foi instituído pela Organização Internacional do Trabalho. A data foi instituída no Brasil pela Lei Federal 11.121/2005.

A homenagem aos mortos neste ano deve se concentrar na pandemia da Covid-19. Na última semana de abril chegamos a 2,5 milhões de doentes por Covid-19 e quase a 200 mil mortos pelo contágio do vírus. Muitos destes mortos trabalhadores (as) do setor saúde e de serviços essenciais (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem) e profissionais de diversas áreas de serviços de apoio ao combate ao vírus, e no Brasil dezenas deles. Esses números de mortos e doentes por contágio no trabalho superam os grandes acidentes ocorridos nos últimos 100 anos. Estamos lidando com uma das maiores tragédias da história da humanidade! 

Dino SantosDino Santos
José Freire é secretário de Saúde do Trabalhador da CUT-SP

Se muitos profissionais de saúde no Brasil morrem, além dos que estão nos diversos serviços essenciais, isso decorre, entre outros motivos, da Emenda Constitucional 95 que retirou recursos da saúde e consequentemente medidas de proteção, prevenção e atendimento de saúde. No geral este governo fascista é propagador da necrofilia, co-responsável por essas mortes e contaminados, quando agride a população com manifestações anti-quarentena. Governo antipovo que faz com que percamos com várias medidas provisórias, como a 927 e 936, salários e direitos. É diminuída a proteção e prevenção em saúde do trabalhador, inclusive com suspensão neste ano dos exames periódicos anuais, que foram transferidos para o ano que vem, quando deveriam ser feitos com mais frequência nesta pandemia. Pior de tudo: 40% de todos os trabalhadores do Brasil estão na informalidade sem nenhuma proteção em saúde no trabalho, e direitos mínimos trabalhistas e previdenciários. Cresceu a terceirização irrestrita com redução da renda dos trabalhadores e menor proteção de saúde, e diversas formas de precarização como o famigerado trabalho intermitente que não garante nem o salário-mínimo mensal, entre outros males.

O processo é de luta contínua e resistência. Nossa história, por exemplo na área química nos últimos 35 anos, tem sido de diversas lutas para que os trabalhadores não adoeçam e morram, como ocorreu a luta contra a contaminação pelo Benzeno na PQU e Matarazzo, contra o Chumbo na Ferro Enamel, contra o Mercúrio na Solvay, no ABC e mais recentemente em 2013 a luta contra a contaminação por agrotóxicos da BASF-SHELL em Campinas/Paulínia organizada pelos Químicos Unificados de Campinas-SP e ATESQ. Há uma permanente luta contra todas as formas de contaminação que lentamente matam como a de Benzeno e Amianto. Recordando também que dezenas de trabalhadores petroleiros estão contaminados em plataformas em alto mar pela Covid-19.

Portanto, no dia 28 como compromisso permanente na luta contra as mortes e acidentes em todos os setores econômicos, vamos fazer uma homenagem dirigida a todos aqueles que no Brasil e mundo estão tombando na luta pelo combate da Covid-19. As centrais estão organizando atividades de debates pela internet, e ao mesmo tempo neste dia devemos à noite, pelas 20 horas, nas sacadas e janelas de nossas casas aplaudir a todos os que deram a vida neste combate a essa grande pandemia mundial, acendendo velas!

Em defesa sempre da democracia, contra o fascismo, dos salários dignos, renda mínima emergencial para toda a população, da proteção trabalhista e previdenciária necessárias! Defendamos permanentemente a vida, e combatamos todas as formas de redução de direitos e da gestão autoritária neoliberal! A vida sempre em primeiro lugar de toda a população e de todos os trabalhadores!

*José Freire, secretário de Saúde da CUT-SP, e André Alves, secretário de Saúde da Fetquim-SP-CUT