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Grupo Redimunho está em cartaz nos porões da ocupação Cambridge em São Paulo

Peça no centro da capital paulista fica em cartaz até 30 de julho

Publicado: 25 Maio, 2018 - 17h37

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Foto: Kátia Kuwabara/Grupo Redimunho
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O espetáculo ‘Siete Grande Hotel’, do Grupo Redimunho de Investigação Teatral, está em cartaz na sede do grupo e nos porões do Hotel Cambridge, no Anhangabaú, no centro da cidade de São Paulo.

A temporada segue até 30 de julho aos domingos, às 19h, e segundas-feira, às 20h. Os ingressos para as sessões são no esquema 'pague quanto puder'.

O edifício onde ocorre a peça foi construído na década de 1950, passou por várias mudanças, sendo fechado em 2002 e abandonado em 2004. Transformado hoje em moradia popular, após ser ocupado pelo Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC) em novembro de 2012, é palco de uma série de histórias que falam sobre força de trabalho, migrações, exploração, fé, violência, esperança, capitalismo e guerra.

Com direção de Rudifran Pompeu, a peça venceu o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) de 2017 de melhor autor/dramaturgia.

“Tivemos como ponto norteador o universo do escritor João Guimarães Rosa, riquíssimo em sensações e potencialmente imagéticas. Daí que vêm nossas referências criativas, naquilo que toca o sujeito simples, o mundo rústico de coisas e estados”, conta Jandilson Vieira, um dos atores do espetáculo, que tem uma trajetória de 16 anos no teatro.

Da esquerda para a direita, os atores Jandilson Vieira, Keyth Pracanico e Edmilson Cordeiro - Foto: Kátia Kuwabara/GrupoRedimunhoDa esquerda para a direita, os atores Jandilson Vieira, Keyth Pracanico e Edmilson Cordeiro - Foto: Kátia Kuwabara/GrupoRedimunhoJan, como é conhecido em seus espaços de atuação, explica que os atores tiveram como base para pesquisa o livro "Primeiras Estórias", do mineiro Guimarães Rosa. Na obra, a travessia feita pelos diferentes personagens mescla presente, passado e futuro, numa relação dialética, semelhante ao espetáculo encenado no centro da capital. 

A obra "A Condição Humana", de Hannah Arendt, também inspirou a dramaturgia. “Todas as experiências de cenas trazidas pelos atores e atrizes ao longo do processo falam de guerra, luta de classes e alienações sociais”, diz Jan, que é também dirigente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (Sated-SP), entidade que nesta semana se filiou à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e que, desde 2018, tem à frente uma nova diretoria.

Segundo o ator, os vários cenários, num espetáculo que faz o público se movimentar, são parte integrante da pesquisa desenvolvida durante um ano e dois meses.

“Está tudo interligado. A cada novo trabalho, nós mergulhamos num mar de referências bibliográficas, políticas e estéticas. Todo o cenário, figurinos e iluminação são rústicos. Não têm grandes mecanismos de elaboração. São materiais que achamos em caçambas e reaproveitamos. Partimos do simples, mas de um simples que carrega uma força simbólica que complementa o discurso que construímos durante o processo. Daí a estética se apresenta muitas vezes com força em nossos trabalhos”, relata.

Em cartaz desde 8 de abril, a peça é aberta aos moradores da Ocupação Cambridge e também à vizinhança do centro de São Paulo. Uma das cenas do espetáculo, inclusive, retrata a luta dos sem-teto por moradia.

Siete Grande Hotel: A Sociedade das Portas Fechadas
Quando:
até 30 de julho
Horário: domingos, às 19h; segundas-feira, às 20h
Ingressos: 'Pague quanto puder'
Onde: Espaço Redimunho de Teatro
Rua Álvaro de Carvalho, 75, Centro - São Paulo - SP
Estação Anhangabaú (Metrô - Linha 3 Vermelha)
Classificação indicativa: 14 anos 
Duração: 120 minutos