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Grito prega união dos excluídos do governo Bolsonaro em defesa do Brasil

Atividade reúne 15 mil pessoas na capital paulista

Publicado: 07 Setembro, 2019 - 15h19 | Última modificação: 09 Setembro, 2019 - 11h58

Escrito por: Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Dino Santos/CUT-SP
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Não demorou nem um ano para o Brasil perceber que o nacionalismo pregado por Jair Bolsonaro é tão fake quanto as mentiras que seus apoiadores contaram para conseguir elegê-lo.

Durante o 25º ano do Grito dos Excluídos, em São Paulo, uma das 130 cidades em que houve protestos, lideranças dos movimentos sindical e sociais apontaram que quem bate continência para a bandeira dos Estados Unidos, abrindo as portas para que sejam levadas as nossas riquezas minerais, apoiando a venda de estatais como os Correios, Telebras, Eletrobras, Petrobrás, Serpro e Dataprev e ajudando a promover reformas para retirar direitos trabalhistas e a aposentadoria, não tem qualquer compromisso com o Brasil.

Conforme destacou o professor e presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, um nacionalista teria a obrigação de lutar para reverter o quadro atual em que a informalidade bate recorde no país.

“Após anos de avanços em políticas públicas e nos direitos dos trabalhadores por meio dos governos de Lula e Dilma, hoje temos 13 milhões de desempregados e mais 4,9 milhões de pessoas em situação de desalento, ou seja, que desistiram de procurar emprego. Esses são os excluídos de nosso país”, afirmou.

Dino Santos/CUT-SPDino Santos/CUT-SP
Kelly e Douglas (ao microfone) representaram a CUT no Grito dos Excluídos em São Paulo

 

Além disso, como destacou o servidor público e secretário de Mobilização da CUT-SP, João Batista Gomes, estamos diante de um governo que não se preocupa com as nossas riquezas.

“Bolsonaro não está nem aí quando latifundiários botam fogo na Amazônia, nosso patrimônio de importância mundial. Os povos indígenas, ribeirinhos, povos tradicionais e todos nós dependemos da Amazônia para sobreviver. E quando o presidente avança para acabar com a aposentadoria por meio da reforma da Previdência isso significa que o número de excluídos aumentará. Somos os verdadeiros brasileiros que defendem o Brasil e a soberania do nosso país”, disse. E lembrou que “não será nenhum Bolsonaro, Rodrigo Maia (presidente da Câmara) ou Mourão (Hamilton Mourão, vice-presidente da República) que vai nos dizer para onde caminhar”, complementou.  

Para a comerciária e secretária de Políticas Sociais da CUT-SP, Kelly Domingos, é preciso reforçar a luta por democracia, pela liberdade de Lula e de outras pessoas presas de forma injusta. Na ocasião, a dirigente também repudiou o caso de uma unidade do Ricoy Supermercados, na cidade de São Paulo, que foi palco de uma bárbara sessão de tortura contra um adolescente negro nesta semana.  

“Estamos aqui para defender aqueles que arriscam as próprias vidas para que os mais pobres tenham acesso a direitos básicos como educação, saúde e moradia. E o ex-presidente Lula é um exemplo neste sentido. Não podemos esquecer também que temos três companheiros presos por exercerem o direito à luta pelo acesso à uma moradia, que está na Constituição. Nesta semana conseguimos libertar Vaccari (João Vaccari Neto, ex-dirigente da CUT e ex-tesoureiro do PT), após quatro anos de uma prisão injusta, e agora temos de libertar o Lula. Querem manter ele encarcerado porque sabem que se for solto será uma grande força contra esse governo fascista”, fala Kelly.


Bolsonaro não está sozinho

Coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, liderança de uma das entidades que organiza o Grito dos Excluídos em São Paulo, ressaltou os atrasos promovidos por Bolsonaro, mas indicou que não está sozinho.

“Metade da população mais pobre perdeu 18% de sua renda, enquanto 1% da população mais rica cresceu 10%. Este governo ataca a Amazônia, a educação e, dentro disso, os pesquisadores, cientistas, além de desmontar o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). A solução não é a reforma da Previdência, reduzir o Estado brasileiro, mas taxar as grandes fortunas, cobrar a sonegação fiscal dos devedores da Previdência. Nossa independência do Brasil foi apenas formal. Não substancial. Queremos a verdadeira independência econômica, política e social. Vamos derrotar Bolsonaro, Doria e havemos de construir uma nação justa e soberana para o povo brasileiro”, defendeu.

Petroleira e secretária da Juventude da CUT-SP, Cibele Vieira falou da importância de o país questionar se realmente tem mantido uma relação de independência com forças estrangeiras.

“No dia da suposta independência do Brasil, estamos aqui em São Paulo para pensar: independência para quem? E como? Vivemos sob um governo que é subordinado a interesses internacionais e está vendendo o Brasil, não só as estatais, mas também deixando a Amazônia pegar fogo por interesse do agronegócio. Vamos dar um basta a isso num grito de todos os excluídos.”

Feminismo e pluralidade

Desde o início da manhã, a concentração na Praça Oswaldo Cruz, ponto inicial da Avenida Paulista, já reunia aqueles que Bolsonaro entende como inimigos: trabalhadores, LGBTs, negros, mulheres e pobres.

Depois, os manifestantes seguiram em marcha, às 11h, pela Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, rumo ao Monumento às Bandeiras, ao lado do Parque do Ibirapuera, onde o ato terminou às 13h.

Representante da Marcha Mundial de Mulheres, Maria Júlia lembrou das mobilizações promovidas pelas mulheres que, segundo ela, não deixaram as ruas no combate ao conservadorismo. E alertou sobre a importância de não se iludir com supostos sinais do Poder Judiciário em uma teórica defesa da democracia.

“As mulheres estão desde o ano passado dizendo não ao Bolsonaro, fomos à Brasília na Marcha das Margaridas fazer a primeira manifestação de massa e reivindicar o ‘fora Bolsonaro’. Precisamos continuar na luta para barrar o avanço do fascismo em São Paulo e no Brasil. Não podemos nos enganar com o Judiciário, que foi o mesmo que prendeu os companheiros do movimento de moradia. Nossa solução é a luta de massas na rua”, afirmou.

Entre os 15 mil manifestantes presentes no ato deste sábado (7), segundo a organização do evento, pessoas como Carlos Henrique de Oliveira, mestrando em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e da Rede Estadual de Jovens  Vivendo com HIV/AIDS, vestiram roupas pretas para participar da atividade. Assim estiveram os estudantes em defesa da educação no Brasil. 

Secom CUT-SPSecom CUT-SP
Carlos Henrique de Oliveira, mestrando em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC (UFABC)


“Estamos de preto tanto em defesa das liberdades democráticas que estão sendo ameaçadas, quanto para mostrar que estamos de luto pelo direito das populações negra, LGBT, das pessoas que vivem com HIV/AIDS e que dependem do SUS, que são intersexuais, contra a precarização cada vez maior do servidores públicos, como é meu caso, entre tantas outras bandeiras. Estar no Grito dos Excluídos hoje é lutar por aqueles que nunca foram incluídos e para que a cidadania de toda a sociedade não possa ser resumida ao salve-se quem puder das balas, como propõe Bolsonaro”, definiu.

Além do ato na capital, outras cidades realizaram atividades pelo estado paulista, como Campinas, que realizou protesto na Praça do Largo do Pará, no centro da cidade, e Guarulhos, que organizou um ato com performance teatral na Praça Tereza Cristina, em frente à Catedral Nossa Senhora da Conceição. Depois, houve caminhada pelas ruas do centro da cidade.