• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
  • Rádio Brasil Atual
MENU

Famílias estão ficando sem ter onde morar, diz vice-presidente da CUT-SP

Durante participação na TV Cenário, Luiz Claudio Marcolino falou sobre a falta de políticas de habitação, que tem levado milhares de pessoas a viverem em situação de ocupação

Publicado: 03 Maio, 2021 - 21h52 | Última modificação: 03 Maio, 2021 - 22h02

Escrito por: Rafael Silva - CUT São Paulo

Reprodução
notice

“Desde 2016, o Temer cortou parte do programa Minha Casa Minha Vida, e, agora, Bolsonaro acabou de vez com ele. Acontece que com o aumento do desemprego e a redução do auxílio emergencial, a alternativa para muitas pessoas foi a ocupação. E estamos falando de famílias com crianças, em que muitas perderam o emprego há pouco tempo ou que têm um trabalho com remuneração insuficiente para pagar um aluguel”, disse Luiz Claudio Marcolino, bancário e vice-presidente da CUT-SP ao defender a urgência na criação de políticas habitacionais no estado de São Paulo.

Marcolino participou, nesta segunda (3), do programa Bom Dia Cenário, da TV Cenário, canal digital da região do Alto Tietê, onde estava em pauta as ocupações de prédios e terrenos que têm aumentado em todo o estado - mais um dos sinais da crise política e econômica que o Brasil vem enfrentando.

Durante a entrevista, o dirigente reforçou a necessidade do governo federal voltar a pagar o auxílio emergencial no valor mínimo de R$ 600, pois os trabalhadores que perderam o emprego durante a pandemia passaram a depender desse valor para sobreviver. Ele também destacou que o governo federal poderia ter usado o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) para ajudar os pequenos empresários a atravessarem o período de pandemia sem grandes dificuldades, impedindo o fechamento de muitos estabelecimentos. Como resultado da falta de planejamento, o país voltou a ver casos de fome e carestia, com pessoas dependendo exclusivamente de organizações sociais.

Na última semana, reportagem da Folha de S.Paulo trouxe um levantamento do projeto Observatório de Remoções, iniciativa de pesquisadores do LabCidade, LabHab (FAUUSP) e LabJuta (UFABC), apontando que, desde o início da crise sanitária, a Região Metropolitana de São Paulo tem ganhado novas ocupações formadas por famílias que ficaram totalmente sem renda.

“É preciso fazer um debate com a sociedade sobre o déficit habitacional e apresentar propostas de políticas públicas habitacionais. O governo do estado, por exemplo, acabou com a CDHU, que é a empresa que poderia fazer habitação em São Paulo”, afirmou Marcolino. Em outubro do ano passado, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou projeto do governador João Doria (PSDB) permitindo a extinção de seis empresas estatais, que incluía a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).

“Hoje, nenhuma cidade tem um programa para atender a população que não consegue pagar um aluguel. Isso porque todos os municípios dependiam do Minha Casa Minha Vida (MCMV), que subsidiava grande parte das construções, e, com o fim do programa, as prefeituras não deram conta de fazer sozinhas as políticas locais”.

Criado pelo ex-presidente Lula (PT) em 2009, o MCMV era um programa que tornava moradias acessíveis às famílias de baixa renda. Desmontando desde o governo de Michel Temer (MDB), o programa teve o nome alterado na gestão de Jair Bolsonaro (ex-PSL) para Casa Verde e Amarela, mas nada mais saiu do papel a não ser a propaganda.

Os apresentadores Bom Dia Cenário, Junior dos Anjos e Jairzinho Ambrósio, também conversaram com Marcolino sobre as ações do 1º de Maio realizadas pela CUT-SP e seus sindicatos e a urgência da vacinação para todas e todos.

Confira a entrevista na íntegra abaixo: