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Contra o monopólio do Facebook, CUT lança mutirão de brigadas digitais em todo país

Facebook anuncia investimentos em veículos de comunicação comerciais no Brasil, excluindo mídia progressista

Publicado: 22 Setembro, 2021 - 12h35 | Última modificação: 23 Setembro, 2021 - 11h38

Escrito por: Belmiro Moreira*

Maria Dias/CUT-SP
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Na semana passada, o Facebook anunciou um programa em parceria com veículos de comunicação no Brasil. Na iniciativa estão previstas ações para dar maior visibilidade aos conteúdos produzidos pela imprensa comercial, bem como incentivo a investimentos financeiros a esses veículos.

Num primeiro momento, a ação da plataforma seria bem-vinda dentro do contexto de combate às notícias falsas que poluem as redes sociais. No entanto, de acordo com a lista de veículos selecionados pelo projeto, fica evidente que o Facebook não terá o compromisso de garantir uma diversidade de fontes de informação, estando alinhado à narrativa da mídia comercial, de defesa dos interesses do mercado financeiro.

Chama a atenção, inclusive, que na lista de “parceiros” constam até mesmo nomes de veículos que produzem conteúdos questionáveis, como a rádio Jovem Pan, de extrema-direita e alinhada ao bolsonarismo, Revista Crusoé e site O Antagonista, canais de fofocas políticas sempre favoráveis a figuras como a de Sérgio Moro e integrantes do PSDB. A lista também é formada pela Record, RedeTV!, SBT, Estadão, Folha de S.Paulo, Grupo Abril, Grupo Bandeirantes, Jornal do Commercio e UOL. Todas as empresas que continuam – ou que estiveram em algum momento– relativizando o ódio e as mentiras promovidas pelo governo Bolsonaro (ex-PSL). 

O curioso é que nenhum veículo da mídia alternativa e progressista, que tem sido responsável por importantes furos no jornalismo, cuja perspectiva é certamente diferente a do mercado informativo atrelado aos interesses do capitalismo, foi convidado. Ou seja, nenhum representante que pudesse trazer a fala do povo brasileiro. Essa decisão traz como efeito prático mais uma interferência da plataforma no cenário político do país, ao privilegiar o alcance de determinados conteúdos.

Em todo o mundo, a empresa de Mark Zuckerberg tem sido alvo de questionamentos na justiça sobre a falta de ação no combate às fake news e de transparência nas práticas de privacidade. As ações contra o Facebook têm rendido recorde de multas bilionárias nos Estados Unidos e em países da União Europeia.  

Aqui no Brasil, a propagação de notícias falsas tem custado caro à classe trabalhadora. Além de ter dado apoio na eleição à presidência  da República mais recente, que garantiu a vitória de Jair Bolsonaro, vendido como alguém “limpo” dentro da política, a disseminação de mentiras tem ajudado o atual governo a caminhar com pautas bombas no Congresso Nacional. Articulados em grupos de WhatsApp, Telegram e no Facebook, as bases de apoio ao presidente conseguem impor na sociedade discussões e temas considerados irrelevantes, criando uma cortina de fumaça enquanto o governo tratora direitos.   

Por isso, para fazer frente a isso, no próximo período, a CUT dará início a uma importante iniciativa em todo país que visa fortalecer a Rede Nacional de Comunicação da entidade, seus sindicatos e federações. Batizada de 'Brigadas Digitais', o projeto será um mutirão que envolverá comunicadores, trabalhadores de todos os ramos e lideranças do movimento sindical na busca por maior engajamento das pautas da classe trabalhadora nas redes sociais.

A proposta é garantir uma organização e difusão dos inúmeros conteúdos produzidos pela classe trabalhadora que deem conta de expor os ataques que estamos sofrendo. Esse projeto também será fundamental para enfrentar as fake news, mas, sobretudo, para mostrar as lutas que os trabalhadores e as trabalhadoras têm travado no Brasil. 

*Graduado em Administração de Empresas, Belmiro Moreira é especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Unicamp, secretário de Comunicação da CUT-SP e compõe a direção do Sindicato dos Bancários do ABC.