Em Perus, audiência pública de incinerador de lixo deixa população de fora
Cerca de 600 pessoas não conseguiram entrar no auditório para participar do processo
Publicado: 02 Abril, 2026 - 09h38 | Última modificação: 02 Abril, 2026 - 10h04
Escrito por: Secretaria de Meio Ambiente CUT-SP
Cerca de 600 moradores de Perus foram impedidos de participar da audiência pública sobre a construção do “EcoParque” - ironicamente chamado pelos seus idealizadores, que, na prática, é um projeto de incinerador de lixo.
A audiência foi realizada na última terça-feira, 31, e estava marcada para às 17h no CEU Perus. Mas, de acordo com relatos de moradores do bairro, por volta das 14h, a maior parte dos 400 lugares do auditório foi ocupada por pessoas de fora, trazidas por ônibus fretados.
Ainda segundo denúncia dos moradores, participantes levados para a audiência eram contratados como figurantes com pagamento de cerca de R$170 para a atividade.
Essa ação inviabilizou a entrada da grande maioria da população local, contrária a instalação do incinerador de lixo, que não pôde fazer valer sua voz contra o equipamento. O projeto emitirá Gases de Efeito Estufa, Dioxinas, Furanos e Metais Pesados (substâncias cancerígenas) no ar não somente de Perus, mas de toda a Região Metropolitana de São Paulo. Os moradores reivindicam que uma nova audiência seja realizada, em um local maior, para que a participação seja mais ampla e democrática.
“A Secretaria de Meio Ambiente da CUT-SP apoia a população de Perus e os movimentos que estão somando na luta contra a construção do incinerador de lixo. Por isso, dizemos sim à vida, à saúde, à dignidade, às árvores e ao direito de respirar ar puro”, reforça a secretária de Meio Ambiente da Central Estadual, Solange Ribeiro.
Os impactos da incineração
· Conhecidos mundialmente por gerarem poluentes tóxicos que contaminam o meio ambiente e nosso corpo, os incineradores de lixo estão sendo banidos de países europeus, onde já foram encontradas dioxina em níveis muito acima dos limites permitidos na água e em alimentos próximos a essas usinas;
· O tratamento das cinzas tóxicas exige tecnologias caras e complexas, muitas vezes inacessíveis em países em desenvolvimento;
· A incineração pode custar até oito vezes mais que a energia solar, é mais cara que a energia eólica, bem como custa mais que o dobro da energia gerada por gás natural e carvão;
· A reciclagem, a compostagem e o reuso geram até 200x mais empregos que a incineração;
· As substâncias emitidas pelas chaminés dos incineradores podem gerar câncer e outras doenças, representando milhões em danos à saúde à população todos os anos;
· A incineração é desestimulada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, a qual prevê a priorização da não geração, da redução, da reutilização e da reciclagem de resíduos;
O documento “Recuperação Energética de Resíduos Sólidos Urbanos: Mitos e Fatos Sobre Incineração e Outras Formas de Tratamento Térmico”, elaborado pelo Instituto Pólis e Aliança Resíduo Zero, aborda os problemas relacionados à incineração de resíduos. O estudo pode ser acessado neste link.
É importante lembrar que esse projeto vem na esteira da prorrogação por 20 anos, feita em junho de 2024, dos contratos bilionários de coleta de lixo, estabelecidos entre a prefeitura as mesmas empresas que reciclam somente 3% de nossos resíduos: contratos que, mais uma vez, desrespeitam a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Os novos contratos bilionários - de 20 anos - foram feitos sem consulta pública, sem licitação, sem metas de reutilização e reciclagem de resíduos, sem metas de compostagem de resíduos orgânicos e, pior, colocando a incineração de resíduos como principal “tratamento”.