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Em nova ação, petroleiros vendem botijão de gás a preço justo em Campinas

A atividade do Unificado reuniu diretores e comunidade na periferia de Campinas com botijão de gás por R$50,00

Publicado: 25 Outubro, 2021 - 19h34

Escrito por: Marina Azambuja - Sindipetro

Marina Azambuja/Sindipetro
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Neste sábado (23), o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetro-SP) realizou uma nova venda de botijões de gás por preço justo. O GPL, que na última semana ultrapassou o valor de R$100,00, foi comercializado por R$ 50,00 à comunidade do bairro Jardim Bordon, em Campinas.

Com a ajuda da equipe da EMEF Padre Emílio Miotti, os petroleiros do Sindipetro-SP conseguiram vender 150 botijões de gás em menos de duas horas. Para o diretor sindical Jorge Nascimento, a iniciativa da entidade foi importante pois proporcionou às famílias carentes adquirirem um dos produtos mais importantes para o preparo dos alimentos.

“O primeiro motivo é atender as necessidades da população. A Associação de Pais e Mestres da EMEF conseguiu identificar as famílias mais vulneráveis. A partir da lista fornecida, chegamos nas pessoas que estão precisando. O segundo motivo é denunciar a política deliberada do governo na gestão da Petrobrás de manter o preço dos combustíveis e do gás de cozinha alto como está. Poderia ser revisto, mas não é. A gente denuncia isso na mesma medida que fazemos o nosso papel como sindicato cidadão de atender as pessoas que mais necessitam”, explica Jorge Nascimento.

Para a realização da atividade, o Sindicato organizou dois tipos de cadastros: o primeiro com os nomes das famílias que conseguiriam pagar o valor sugerido; e o segundo, com um grupo de pessoas em situação de vulnerabilidade que não poderiam arcar com o custo do botijão de gás e por isso necessitaram do subsídio integral, que foi calculado em 30% do GPL disponível durante a atividade.

Para Luciana, o gás de cozinha a preço justo é uma questão de sobrevivência (Foto: Marina Azambuja)

A auxiliar de serviços gerais desempregada, Luciana Galvão da Silva (41), entende que a venda de gás por um preço acessível beneficiou muitas pessoas e só tem a agradecer. Luciana, que perdeu o emprego por conta da pandemia, tornou-se dona de casa e atualmente cuida do marido e filha pequena, ela reconhece a importância do gás de cozinha como uma questão de sobrevivência. “Esses dias eu estava vendo uma reportagem de pessoas que estão fazendo comida no fogão a lenha, é uma questão de sobrevivência”, conta.

A doméstica Ivani Alves de Oliveira (71) lamenta o preço absurdo do gás de cozinha e das mercadorias no país. “Eu acho um absurdo. Trabalhamos e ganhamos pouco. Temos que tirar os 120,00 do gás e comprar comida, pagar água e luz.” Ivani, que mora com dois netos menores, relata que teve que substituir alimentos para caber no orçamento. “Às vezes a gente deixa de comprar uma carne para comprar frango, um ovo porque não está dando”. Ela destaca a venda do gás por um preço justo e diz que o valor da contribuição cabe no orçamento e que ainda sobra para adquirir verduras. “Eu achei ótimo”.

As consequências do aumento do gás  

O gás de cozinha é um dos elementos fundamentais que auxiliam na preparação de uma alimentação digna e saudável, mas o aumento da inflação tem dificultado o acesso das famílias brasileiras devido às crises política, sanitária, econômica e privatista.

Com a falta de políticas públicas e assistenciais por parte do Estado, o acesso ao gás de cozinha foi dificultado e trouxe graves consequências à toda a população, como a piora da fome e aumento dos acidentes domésticos ocorridos com lenha e álcool improvisados, por famílias que passaram a substituir o produto durante a preparação dos alimentos.

Segundo dados recentes da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço do botijão de gás teve um novo aumento, no qual o GPL subiu 7,2% e está custando entre R$100,00 e 135,00, valor que compromete quase 10% do salário-mínimo brasileiro, atualmente em R$ 1.100.